
Eles são intimistas, acolhedores, discretos e convidativos. Promovem uma verdadeira degustação sensorial e artística, e estão de volta a São José dos Campos!
Sarau vem de “serum”, o entardecer, o início da noite. E é assim que ao longo de séculos a tradição de reunir amantes das artes atravessa o tempo e ganha novos territórios, de maneira informal, compartilhada e lúdica.
De caráter urbano, os primeiros saraus no Brasil ainda colônia eram conhecidos como “Assembleias”, um termo em voga em Portugal do século 19. Envolviam jogos, músicas, danças, declamações de poesia, exposições de quadros e aperitivos. O formato foi se atualizando e continuou infalível: é envolvente, aproxima as pessoas dos artistas, promove encontros, troca de ideias, tudo num espaço que pode ser a sala da casa, o quintal…
Ao longo do século 20 se espalhou em muitas cidades brasileiras, e se associou também a propósitos beneficentes, como mostra a notícia de 7 de fevereiro de 1938 do “Correio Joséense”:

Essa tendência ganhou adesão na sociedade joseense, e viu nascer a SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical de São José dos Campos), entidade sem fins lucrativos que atua na cidade desde 1970, ano de sua fundação.
A SOCEM, fundada por amantes da música, promoveu inúmeros saraus na cidade, e trouxe para a sala dos seus diretores, artistas de envergadura internacional, como o pianista Nelson Freire, e grandes nomes brasileiros como as cantoras Niza Tank, Márcia Guimarães, Adriana Clis e Gabriela Pace, os músicos Gilberto Tinetti, Ricardo Ballestero, Gabriel Schirato, André Mehmari e Danilo Brito, entre tantos outros.
Os saraus podem ser temáticos, envolvendo grandes artistas locais e das capitais brasileiras, misturando literatura, artes plásticas e música (como os realizados no Espaço Civile, conduzidos pela pianista Rosana Civile), ou mesmo dedicados a musicistas e músicos que residem no exterior, e que de passagem emprestam seu brilho e sua genialidade.
Sorte de que vem viu e ouviu, no último dia 06 de março, o jovem e assombroso pianista brasileiro Estefan Iatcekiw, premiado em vários concursos internacionais e atualmente aluno da Julliard School (NY):

O evento lotou, muitos ficaram na lista de espera, e mostram uma tendência que se fortalece na cidade. Espaços alternativos criam, cada vez mais, um público atento e ávido por experenciar outras formas de se conectar com as artes.
O ano apenas começou, e as temporadas de saraus na cidade prometem muitas e belas surpresas.
Momentos para lá de especiais, e históricos! Não perca um!
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Raquel Aranha
Pós doutorado em Musicologia (Unesp), Doutora e Mestre em música (Unicamp), estudou na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando (Madri), Bacharel em Violino Barroco (Conservatório Real de Haia/Holanda), especialista em Dança Barroca e Bandolinista. Também é bióloga, (Unicamp), e se dedicou à ornitologia. Desde 2020 preside a SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical de São José dos Campos), e em 2022 fundou o CDM SJC (Centro de Documentação Musical / SJC) para a preservação de Patrimônio Musical.
Dicas da Dra.
Conheça o MAPA MUSICAL SJC, uma base de dados aberta à pesquisa sobre a história musical da cidade, compreendendo um arco de mais de 100 anos. O levantamento foi feito pelo Centro de Documentação Musical de São José dos Campos (CDM SJC): https://www.cdmsaojose.com/mapa-musical-sjc
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