A Marcha da Maconha repetiu no sábado (21) o trajeto que fez pelo Centro de São José dos Campos no ano passado, mas com menos gente do que na última edição. Neste ano, de acordo com a organização, a manifestação levou 140 militantes às ruas pela legalização da droga, em face dos 200 que reuniu em 2023.
O ato foi classificado como “pequeno, mas potente” pelos organizadores, que decidiram provocar o prefeito com o tema “Cidade Inteligente acolhe sua gente” após desentendimentos anteriores e a tentativa de proibir o evento.
A marcha começou de manhã na Praça Afonso Pena e terminou no início da tarde na Praça da Matriz. A caminhada foi tranquila na maior parte do tempo.
Os organizadores, no entanto, acusam a Prefeitura de montar, também na Afonso Pena, uma ação de prevenção às drogas, junto de entidades como a Narcóticos Anônimos, para “silenciar as vozes” dos ativistas. A Prefeitura foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Participantes do movimento antidrogas teriam promovido discursos religiosos e “preconceituosos” na direção do grupo, mas não houve confronto, segundo líderes da marcha. Toda a ação foi acompanhada pela Polícia Militar.
Polêmica com vereador do PL
A confusão mesmo aconteceu quando o vereador Thomaz Henrique (PL), candidato à reeleição, apareceu para protestar contra a marcha. Ele e aliados estiveram no Centro com dois cartazes: “Se maconha fosse boa chamava boaconha” e “Drogas – o barato que sai caro”.

O vereador também reproduziu a cena da carteira assinada que viralizou com Pablo Marçal (PRTB) recentemente em debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo. A recepção ao parlamentar não foi muito amistosa e teve gritos de “moralista”, “canalha”, “safado” e “bolsonarista sem vergonha”. As reações foram compartilhadas por Thomaz no Instagram.
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Os desentendimentos não passaram do bate-boca ideológico. O momento mais caloroso, também publicado por Thomaz, foi quando o vereador se aproxima da marcha e ordena que um dos participantes apagasse um baseado de maconha. “Apaga essa p*rra”, exclamou. O movimento próximo aos dois aumenta e há uma breve discussão, mas nada mais.
Consumo descriminalizado, mas ilícito
Pela primeira vez, os participantes puderam portar maconha na manifestação sem infringir a lei. O Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, descriminalizou o porte de até 40 gramas da droga para uso pessoal.
A liberação, entretanto, é diferente da legalização. O consumo de maconha continua ilícito em espaços públicos, mas não gera processo penal. Quem fuma a droga ainda pode receber advertências e passar por medidas educativas sobre os efeitos da maconha.
Pelas propriedades medicinais
O dicurso durante a manifestação também trouxe a discussão da edição passada passada, que teve como tema a defesa da maconha e suas propriedades medicinais. A frase “Maconha legal, no SUS e no quintal” foi repetida diversas vezes pelos participantes na caminhada.
“A marcha buscou uma reflexão acerca da necessidade de acolhimento das pautas e questões que envolvem o tema da cannabis como medicina pelas suas propriedades terapêuticas, em qualquer das suas formas de uso”, afirmou a organização do evento.
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