7 de Setembro de 1931. O “Bando de Tangarás” se apresenta no Theatro São José (construído em 1909, hoje Biblioteca Municipal Cassiano Ricardo), em benefício da Santa Casa Local que oferecia vagas para tratamento de tuberculose, em pensões e em sanatórios para pessoas desfavorecidas.

Veja esta gravação rara do grupo cantando “Vamos fallá do Norte”, de 1929:
Do Bando de Tangarás participavam Noel Rosa (de chepéu branco e violão), Almirante (vocal e pandeiro), Alvinho (vocal e violão), Braguinha, o “João de Barro” (vocal e violão) e Henrique Brito (violão).
É de Almirante (compositor e radialista) a narração sobre o episódio da passagem do grupo por São José, no programa “No Tempo de Noel Rosa” da Rádio Tupi (Programa n° 06 de 12/05/1951). Ouça abaixo:
Ouvir o programa inteiro é uma delícia, mas se quiser ir direto ao ponto, em 17′ 24″ inicia o relato sobre o episódio (que finaliza em 21′ 47″), aliás, bastante divertido.
Mas o que mais me chama atenção é: Noel Rosa (1910-1937), um dos maiores compositores da história do samba, se apresentou nesta cidade e este fato, tão interessante, não é explorado?
Imagina que interessante seria uma pintura feita na lateral da Biblioteca Cassiano Ricardo, inspirada na imagem do grupo, e chamando a atenção para este fato? Isso poderia ser explorado num roteiro cultural, nas aulas de história nas escolas da cidade, e também como formação de público em concertos.
Veja o primeiro texto da coluna: Todas as Claves – um espaço virtual dedicado à música
Em tempos de celebrar o patrimônio
No dia 17 de agosto é celebrado o dia do Patrimônio Histórico e Cultural, e a AFAC (gestora do Parque Vicentina Aranha) realizou o seminário Música e Músicos em 100 anos do Vicentina Aranha, evento em que a história musical de São José dos Campos esteve no foco. Através de minha curadoria, foi realizada uma mesa-redonda com os historiadores Dra. Maria Papali e David Albuquerque, e nela pude compartilhar alguns fatos musicais desconhecidos da maioria. Por exemplo, por volta da década de 30 havia várias bandas de sopros na cidade (ou corporações musicais), e uma delas era a da Tecelagem Parahyba:

Essas bandas estavam nas praças, nos coretos, mas também em locais mais inusitados… uma imagem muito interessante e intrigante (e recolhida em pesquisa pelo historiador David Albuquerque), é a de um grupo de homens de terno sentados na escadaria da entrada do pavilhão central do Sanatório Vicentina Aranha, segurando instrumentos de sopros. Ao centro, de paletó claro e segurando o que parece ser um bombardino, está Nelson D’ Ávila, médico e um dos diretores do Sanatório:

Não temos qualquer informação se o Dr. Nelson D’ Ávila tocava algum instrumento, mas a presença de música dentro do Sanatório (e ao longo da sua história) é algo cada vez mais evidente:

Há muito a se dizer e pesquisar sobre outros fatos do cotidiano que permeavam o Sanatório, mas a mais bela revelação sobre como a música acompanhou a história dos internos do Vicentina veio através de uma testemunha ocular: Jorqe Isarel (1929), bandolinista e alfaiate, nosso mais longevo chorão, conta como Valsas e antigos Choros ecoavam como gotas de cura naqueles tempos de esperanças e dores. Mas é um excelente assunto para uma próxima coluna!
Até a próxima!
Para conhecer mais histórias sobre a cidade de São José dos Campos, visite também o canal SJC Antigamente.
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