Olá! Prazer em escrever para ti. Aqui falo de música, e apresentarei universos múltiplos desta arte complexa, apaixonante, e que costura a vida de todos nós diariamente, em alguma medida. E te garanto, tudo é muito interessante!
Para começarmos a nadar nestas águas, começo por explicar um símbolo que todos reconhecem como ícone musical: a clave.

Clave de Sol, de Fá, de Dó…
A clave mais conhecida sem dúvida é a de Sol, que deriva da letra G (a nota Sol). Cheia de curvas, é colocada bem no início do que chamamos de pauta (aquelas 5 linhas onde as melodias são escritas).
Repare bem que o ponto onde inicia o desenho desta clave é na segunda linha (se contarmos de baixo para cima). Pois bem, a nota que estiver nesta posição, ou seja, na segunda linha, será a nota sol. E todas as outras notas serão nomeadas seguindo a sequência de 7 notas usadas na música ocidental: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.
Cada uma ocupará uma posição (“pisando” na linha, ou encaixada entre duas linhas), de forma que as notas que vão subindo na pauta indicam que o som estará cada vez mais agudo. E as que vão descendo corresponderão a um som cada vez mais grave:

Quem usa cada clave?
Alguns exemplos facilitarão esta resposta. Visualize o teclado do piano:

De uma forma aproximada, do meio para a ponta são os sons considerados mais agudos, então a clave de sol é usada na música escrita para instrumentos que frequentemente atingem sons agudos, como violinos, flautas, cavaquinho, bandolim… e também a voz humana, e a mão direita do piano.
Na região central estão os instrumentos que produzem frequentemente sons nessa região média, como a viola de arco (da orquestra). Para este instrumento será usada a clave de Dó.
Já na região do meio para baixo do piano os sons ficam cada vez mais graves, e a clave de Fá será usada por instrumentos como o violoncelo, o contrabaixo, o trombone, o barítono e o baixo, e… a mão esquerda do piano.
Talvez aqui tenha caído uma primeira ficha: pianistas leem em duas claves ao mesmo tempo!
Uma outra boa leitura: Espaço Civile: a própria casa aberta para os arranjos da música
Conhecer e ler os códigos musicais faz parte da vida de qualquer um que se dedique a entender um pouco da arte musical. Mas o que nem todos sabem é que estes signos que compõem a notação musical, de forma elaborada e inteligente, foram desenvolvidos ao longo de muitos e muitos séculos…
Datam dos anos 1.025 os esforços mais sistematizados do monge e músico italiano Guido d’Arezzo em usar linhas com cores diferentes (que variavam de 1 até 7, chegando por vezes a usar 11!) e diferentes claves para que a música pudesse ser transmitida através de uma “escrita” e não apenas por tradição oral. Para além disso, as claves podiam ser usadas em mais de uma linha na pauta, as notas musicais nem sempre foram redondas (já foram um losango, um quadrado), os ritmos já foram escritos de inúmeras maneiras… ou seja, a notação musical continua seu processo de transformação, e novos símbolos vão sendo agregados para definir novos sons, novos efeitos sonoros… Como será a escrita da música daqui a 1 século? Haverá escrita?
Tudo é sempre mais complexo do que se vê, e passou por uma longa trajetória até se firmar como um padrão reconhecido, repetido, testado e validado. E ainda assim, seguirá seu processo, seu caminho de amadurecimento. Toda arte resulta, e resultará, de um desenvolvimento contínuo, lento, e não finito.
Esta busca é eterna, e talvez seja esta uma das únicas formas de experimentar a liberdade através da criação humana.
Tem algum assunto que te intriga sobre a música? Mande uma sugestão nos comentários! Até a próxima!
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