Em entrevista à spriomais, o vice-governador Felício Ramuth (PSD) afirmou que a pré-candidatura de Eduardo Cury (PL) a prefeito de São José dos Campos, com apoio de Emanuel Fernandes (PSDB), não está focada nos interesses da cidade, mas, sim, em um projeto de retomada do poder.
É boa frase de efeito, bem ao gosto do vice-governador, que leva a um debate bem mais amplo: afinal, o que move um político?

A eleição deste ano em São José dos Campos é marcada por um cenário interessante, em que dois grupos distintos, originários da mesma base, disputam o controle de uma das prefeituras mais importantes do país. De um lado, o grupo basilar, formado por Emanuel Fernandes e Eduardo Cury. De outro, o grupo que atualmente gira em torno de Felício Ramuth e Anderson Farias.
Ambos com raízes no antigo PSDB, “refundado” na cidade por Emanuel nos anos 90, que criou o que se costuma chamar de “um jeito novo de fazer política”. Hoje, dessas lideranças, apenas Emanuel está no ninho, o PSDB. Mas todos, todos mesmo, divididos entre PL e PSD, reivindicam essa herança. Mas não se engane, caro leitor: só as urnas de outubro vão dizer quem é o verdadeiro herdeiro desse DNA político.
Até lá, a esgrima verbal entre eles segue num crescente.
Na entrevista para a spriomais, Felício creditou a Cury um oportunismo político focado tão e simplesmente na busca do poder.
“Eu nem esperava que ele (Cury) saísse. Ele havia dito que só seria candidato se São José dos Campos estivesse ruim, com problemas de gestão. Todas as pesquisas mostram o contrário: o governo tem mais de 70% de aprovação. Para que ser candidato se o cidadão aprova o governo?”, perguntou. As críticas do vice-governador ficam mais claras quando ele lembra da ida do ex-deputado para o PL, partido hoje mais forte que o PSDB em termos de tempo de TV, fundo partidário e lideranças.
Felício tem razão?
Independentemente da resposta a essa pergunta e da verdade que cada um traz em si, o questionamento do vice-governador carrega uma ironia: ora bolas, não foi o próprio Felício que trocou o PSDB pelo PSD em 2022 e renunciou a cargo de prefeito, apesar da promessa de campanha, em busca de novos voos na política? Claro, para sua opção, Felício buscou explicação em um frase de efeito: “Não fui eu quem saiu do PSDB, mas o PSDB que saiu de mim”. Para sorte dele, deu certo. Hoje, Felício ocupa o segundo cargo mais importante do Palácio dos Bandeirantes, o que não é pouco. Mas, essa conversa de “quem fez o que” lembra um velho ditado, do roto falando do esfarrapado. A meu ver, tudo isso leva à pergunta feita lá em cima: afinal, o que move um político?
Quem tem uma resposta definitiva? Melhor pedir ajudar aos universitários …
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PS: o título desse artigo, “O Reino e o Poder”, é uma referência ao livro de mesmo nome escrito pelo jornalista Gay Talese, um dos “papas” do “new jornalism” norte-americano. Nele, Talese narra a trajetória do “The News York Times”, com sua história e a disputa pelo poder, nos anos 60, dentro da Redação do jornal de maior prestígio no mundo. Uma obra sobre o eterno e o efêmero. Vale a pena ler.
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