Nos últimos anos, o termo ESG (environment, social and governance – meio ambiente, social e governança) tornou-se sinônimo de sustentabilidade, evoluindo de uma mera aspiração para uma prioridade crucial para conselhos, empresas, investidores e, mais recentemente, reguladores.
No entanto, à medida que o entusiasmo em torno do ESG cresceu, também aumentaram o escrutínio e as críticas. Ao refletirmos sobre sua trajetória, é fundamental distinguir entre críticas merecidas e imerecidas e explorar o caminho a seguir para este aspecto integral dos negócios.

Críticas merecidas ao ESG destacam questões como metodologias opacas de classificação, conflitos de interesse e a necessidade de maior transparência dos provedores de classificações ESG.
Sem pontos de dados adicionais, as classificações ESG agregadas são questionáveis. Como uma alta pontuação em um dos pilares E, S, G pode compensar uma pontuação baixa em outro pilar, empresas podem compensar a desflorestação, por exemplo, ao terem mais diversidade em sua equipe de gestão. A próxima regulamentação da União Europeia visa abordar algumas dessas preocupações, e esperamos que leve a mais clareza, consistência e transparência, permitindo que os investidores alcancem seus objetivos individuais.
No entanto, provedores de classificações, investidores, empresas e emissores de fundos sustentáveis não precisam esperar pelas regulamentações iminentes. Provedores de classificações podem evitar conflitos de interesse separando suas consultorias de seus negócios de classificação hoje. Eles podem ser claros sobre a finalidade de seus dados e transparentes sobre sua metodologia, publicando-a hoje.
Investidores e empresas podem ir além do relato formal e garantir uma comunicação clara sobre suas atividades e riscos, investigando seus efeitos no presente. Emissores de fundos sustentáveis podem ser mais transparentes sobre os objetivos de seus fundos e como medem o impacto, fornecendo os dados respectivos agora.
Além disso, todos os participantes do mercado podem adotar a dupla materialidade, (noção que reúne as duas perspectivas para a priorização dos temas/tópicos em sustentabilidade) reconhecendo que sua conduta empresarial vai além dos retornos financeiros, impactando tanto as pessoas quanto o planeta.
Por que isso é importante? Porque a materialidade única não impulsiona o impacto na prática. E impactos sobre pessoas e o planeta podem levar a riscos financeiros para uma empresa e seus investidores no futuro. Precisamos de uma visão holística. Afinal, o que é ESG senão o mais significativo projeto de gestão de mudanças de nosso tempo?
No ano passado, o presidente e CEO da BlackRock (maior fundo de investimento do mundo), Larry Fink, revelou que havia parado de usar o termo ESG por completo, refletindo sua crescente politização nos Estados Unidos.
Crucialmente, no entanto, Fink afirmou que a BlackRock se referiria ao termo como “sustentabilidade empresarial” e continuaria a dialogar com as empresas nas quais possui participação sobre questões como descarbonização, governança corporativa e questões sociais. Isso não foi surpresa, dado que os gestores de ativos devem constantemente se esforçar para mitigar os riscos que enfrentam negócios e investidores.
Olhando para o futuro, é evidente que o ESG não é uma tendência passageira, mas um componente essencial da estratégia empresarial moderna. Para que ele realmente cumpra seu potencial, todas as partes envolvidas – desde reguladores até investidores e empresas – devem se comprometer com uma abordagem transparente e integrada. Somente assim poderemos garantir que os benefícios do ESG sejam plenamente realizados, promovendo um futuro mais sustentável e equitativo para todos.
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