A Prefeitura de São José dos Campos vai investir R$ 12 milhões para adequar a Igreja São Benedito para receber concertos sinfônicos e de câmara, saraus, recitais e apresentações de corais. O objetivo é aproveitar a acústica da igreja, erguida em 1876 e tombada pelo Patrimônio Histórico.
Caso dê certo, a cidade ganha um espaço para arte, em plena praça Afonso Pena, no coração de São José dos Campos.

Anos atrás, em uma das edições do projeto “Natal Iluminado”, presenciei, por obra do acaso, uma apresentação do grupo “Luzes da Ribalta” no interior da Igreja São Benedito. Digo por acaso porque foi assim, obra do inesperado. Vamos lá. Estavam previstas diversas apresentações musicais na frente da igreja, quando, justamente, na último, do “Luzes da Ribalta”, desabou um tempral. O final de tarde ensolarado virou um aguaceiro. Músicos e parte da plateia se abrigaram dentro da igreja. Aí, os deuses das artes resolveram reinar: de improviso, os músicos começaram a tocar e, na penumbra da igreja, todos nós, ali presentes, pudemos assistir a uma das apresentações mais singelas que já vi. O tamborilar da chuva no telhado, o sussurrar das vozes da plateia, os acordes aliados à acústica do espaço criaram um momento mágico, daqueles que a gente sonha que nunca acabe.
Quando acabou, as pessoas ainda ficaram por ali, embora a chuva, como a música, já tivesse passado.
Tentei repetir o momento em outras edições do “Natal Iluminado”, mas, por zelo com o espaço ou por segurança, a Fundação Cultural não autorizou. Tomara que agora, com os R$ 12 milhões, revelados, em conversa, pelo prefeito Anderson Farias (PSD), a Igreja São Benedito reabra as portas para a música e para as artes. A cidade agradece.
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