O governo do Estado anunciou oficialmente, na última quinta-feira (23), a retomada do projeto de um trem rápido entre São Paulo e São José dos Campos.
É a volta do TIC (Trem Intercidades), que acabou incluído no PPI/SP (Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo, anunciado formalmente pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Chamada de “Eixo Sul” do TIC, a ligação ferroviária São Paulo/São José dos Campos teria de 80 a 130 quilômetros, a depender do traçado final, e um investimento de R$ 6 bilhões. Prazo? A única previsão em relação a datas não é muito otimista: a apresentação do projeto para a iniciativa privada deve acontecer em 2027. Daqui a três anos. Somando projeto e obras, o trem vai passar por aqui, mais ou menos, na virada de 2030. Isso se o projeto não sofrer qualquer descontinuidade.

Mas, o objetivo inicial já foi alcançado: o anúncio do TIC São Paulo/São José rendeu as manchetes e “likes” necessários.
Nada fora do contexto, afinal, isso já aconteceu antes. O projeto do TIC (com outro nome) foi idealizado há 18, 20 anos, quando o Estado passou a trabalhar com a ideia de ter uma ligação por trem entre a capital e algumas cidades distantes até 100 quilômetros: Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos, segundo a ordem anunciada à época. O então governador Geraldo Alckmin (à época no PSDB, hoje no PSB) chegou a falar disso pouco antes de deixar o cargo em 2006, para disputar a Presidência da República. Em sua volta ao Palácio dos Bandeirantes (2011 a 2018), o projeto foi retomado, embora nenhum trem deixasse estação alguma. Mas, rendeu, como esperado, notícias, manchetes e flashes.
Faz parte, como no projeto de Trem Bala…
O que me chamou a atenção nessa retomada do TIC, no entanto, foi a ordem das cidades incluídas no projeto. Lá atrás, no início dessa história, Campinas e São José dos Campos disputavam o privilégio de receber a primeira fase do TIC, com leve vantagem para Campinas. Campinas levou. Depois, São José dos Campos passou a disputar com Sorocaba a possibilidade de receber a segunda fase do TIC. Não deu. Sorocaba venceu. A disputa, então, passou a ser São José dos Campos e Santos para a terceira etapa. Bem, no organograma divulgado na última quinta-feira (23), Santos ficou com a terceira “perna” do TIC. Critérios logísticos? Critérios técnicos? Pode até ser. Mas fica estranha sensação que o Vale do Paraíba perdeu esse trem.
Exagero? Longe disso.
Em termos de PIB e posição estratégica, a Região Metropolitana do Vale do Paraíba perde apenas para a RMC, de Campinas. Onde perde, então, a RMVale? Ora, é simples, em representação. Com mais de 2,5 milhões de habitantes, o Vale tem apenas dois representantes na Assembleia Legislativa do Estado. É pouco. Ah, dirão alguns, mas a região tem o vice-governador do Estado, Felício Ramuth (PSD). Sim, tem. Mas, isso não pesou a nosso favor, neste caso. No projeto do TIC, a RMVale disputava a ponta e acabou amargando um quarto lugar.
Mas, tudo bem…
O trem nem apontou na estação e já está rendendo manchetes e “likes”. Muita gente está discutindo até o preço de passagem. Faz parte.
Neto de ferroviário, torço para que o projeto vire, enfim, realidade. Cresci escutando meu avô, José Olympio, falar sobre as vantagens das ferrovias, tanto para transporte de carga quanto de passageiros. Menino, andei de trem pra baixo e pra cima quando ainda havia trens de passageiros entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Está na hora, aliás, já passou da hora de termos uma ligação férrea moderna e eficiente, para transporte de passageiros, entre a capital e a nossa região. Essa ideia não pode descarrilar. Mas, pelo jeito, não vai ser tão agora. Na melhor das hipóteses, esse trem atrasou. Ou, talvez, nós tenhamos, mais uma vez, perdido o trem da história.
Segue o baile…
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