Nossa cidade construiu grandes salas de cinemas nos anos 60. Somando os dois principais cinemas no centro da cidade, tínhamos mais de 3.400 lugares, o que gerou uma disputa por espectadores.
O Theatro São José, onde hoje é a Biblioteca Cassiano Ricardo, funcionou primeiramente como cinema, de 1910 a 1940, quando virou sede da Prefeitura.
Cine Palácio e Apocalipse Now
Do Cine Palácio transformado em estacionamento na praça Afonso Pena podemos ainda sentir a amplidão inclinada onde ficavam as escadarias e as poltronas. Alguns vestígios deixados nas paredes como luminárias descascadas com fios soltos e restos de pinturas que resistem nas paredes cobertas pelo acúmulo de fuligem não fazem parte da memória de ninguém que trabalha ali atualmente.
Romeu e Julieta e Apocalipse Now passaram nessa telona.
Hoje é um cenário de filme futurista, carros estacionados lado a lado numa rampa gigantesca até uma nova onda empreendedora vislumbrar novo destino. Não sei quantos carros ocupam hoje a área que 1.600 poltronas ocupavam na década de 60. Sua cortina imensa abria lentamente, hoje seria um meme. Afinal, quem tem tempo pra assistir uma cortina abrindo?
Art decó caboclo
Já o Cine Paratodos, inaugurado em 1941, antes do Palácio, tinha capacidade para 1.830 espectadores e teve outros destinos além de estacionamento. Foi sede de uma financeira, igreja e depois virou shopping. Seu estilo arquitetônico “art déco caboclo” ainda preserva características originais na fachada, mezanino e no piso de entrada.
O estacionamento do supermercado da Vila Ema também já foi um cinema, o Cine Planetário, construído por Remo Cesaroni na década de 60 e demolido em 1980. Ele veio para se curar de tuberculose, sarou e aqui permaneceu como encarregado do Consulado Italiano. Criou seu Observatório Astronômico, o Cine e o Hotel San Remo ao lado da igreja Matriz no Centro da cidade.
O Cine Planetário foi palco de shows como Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Egberto Gismonti entre outros.
O Cine Santana e o Cine Teatro Benedito Alves resistiram à demolição o que não ocorreu com o Cinema do CTA que tinha curadoria dos alunos do ITA.
Todos esses cinemas foram locais de eventos culturais e sociais como formaturas das faculdades e shows de música. Na década de 80 surgem os cinemas em shopping que atualmente disputam conforto e tecnologia para atrair público com seus blockbusters.
O cinema de rua, aquele que você não precisa passear por dezenas de vitrines e áreas de alimentação pois ele está direto na rua, está de volta.
Oui, cinema no Museu Municipal
O Cine Santana e o Museu Municipal têm uma programação que podemos conferir no site da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. O primeiro no bairro de Santana e o segundo, uma parceria com a Aliança Francesa, no auditório do Museu Municipal.
O bairro Jardim da Granja ganhará a partir do próximo dia 24 de maio uma sala de cinema. Um projeto do CAC (Centro de Artes Cênicas) Walmor Chagas, conhecido como palco de teatro. Apresentação de shows, local de ensaios de grupos e sede da Cia de Teatro da Cidade.

À frente dessas realizações estão a atriz e diretora Andreia Barros e o diretor Claudio Mendel, casal de artistas com doses elevadas de coragem e resiliência que trazem para cena cultural da cidade indiscutível profissionalismo e qualidade em seus projetos. Você pode conferir no Instagram do teatro suas realizações, premiações e agenda.
A capacidade de se reinventar é semelhante à uma pedra lançada num lago que gera ressonâncias por necessidade. O CAC Walmor Chagas permanece revelando nossa capacidade criativa como artistas desta cidade e reconhecendo nos artistas locais os verdadeiros contadores de nossas histórias.
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CinEva, justa homenagem
Assim, esta iniciativa se chamará CinEva, em homenagem a atriz, diretora e produtora Eva Sielawa. Formada em Artes Cênicas pela Unicamp, em 1993, atuou em diversos espetáculos, inclusive em Don Juan Tenório (1997) e Maria Peregrina (2000), produzidos pela Cia Teatro da Cidade.
Com a Cia do Farol, grupo de teatro e música contratado pela Secretaria de Transportes e de Saúde de São José dos Campos desde 2006, conquistou os prêmios Volvo e Denatran com projetos de arte-educação. Nos anos de 1988/89, em Paris, França, pesquisou o Teatro de Tadeusz Kantor, participando de vários simpósios, palestras e debates com o mesmo, durante uma jornada de espetáculos com a cia polonesa. Foi produtora executiva do Festival do GT Mulheres da Cultura de São José dos Campos, em 2021.
Me lembro do encontro online que discutíamos a produção de um evento do GT e ela estava com seu belíssimo olhar distante naquele dia. Conheci a Eva criança, fomos quase vizinhas. Me recordo muito bem de sua mãe, uma mulher além da sua época que influenciou culturalmente e humanamente filhos, netos e agregados.

Eva teve uma trajetória brilhante, muitos se encantavam com sua voz, outros com suas interpretações cênicas e outros com suas danças. Eu tinha a percepção que todas essas Evas estavam sempre presentes pois sua integridade artística era plena. Sua partida precoce nos chocou, entristeceu e vejo agora nessa homenagem um importante reconhecimento para sempre celebrarmos sua presença entre nós.
O teatro CAC Walmor Chagas foi adaptado para sala de cinema com investimentos de 60 mil reais através da Lei Paulo Gustavo e assim como os outros cinemas de rua, citados acima, terá ingressos gratuitos. Com uma vasta programação adulta e infantil, inclui mostras, oficinas, palestras, sessões especiais para escolas com pipoca, o CinEva inaugura dia 24 de maio.
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