Fazer pão é uma das maravilhas da civilização. O pão surgiu na região da Mesopotâmia, desde que iniciaram o cultivo do trigo. No Egito dos faraós, já existiam padarias, que produziam em larga escala.
Pompeu (106-45a.C.), o general romano, ao ordenar que seu exército levasse o trigo da Sicília para Roma, disse: “navigare necesse, vivere non est necesse”, imortalizada por Fernando Pessoa (e muito mais tarde por Caetano Veloso).

Com apenas três ingredientes e a paciência de Jó, descobrimos uma infinidade de tipos de pão. Desde o mais rude, aos mais delicados, quase massas folhadas.
Nessa época do ano, ficamos imersos num limbo. O que precisaria acabar, ficou sem acabar. Nada começa, nada anda. E uma longa fila se estabelece diante de nós. E vem esse grande hiato da fermentação.
Com a casa cheia começaram os testes. Uns cresceram muito, outros quase nada. Entre os queimados e os embatumados, todos comidos quentes, regados a azeite e vinho.
Veja mais de fim de ano: Réveillon, mas sem fogos de artifícios!
Louis Pasteur, em meados do século XVIII, demonstrou que uma substância inativa, torna-se ativa sob influência da fermentação, que é considerada uma obra da vida. Viva!
O tempo da fermentação é o tempo da espera, da gestação, do crescimento.
Nesse hiato civilizatório, nossas cidades se esvaziam, os mercados ficam lotados e temos de ser pacientes.
A idade vai nos trazendo alguma sabedoria. Assim como com o pão, não adianta ter pressa, nem querer inventar. Se quiser um pão com massa aerada e crosta dourada, vai ter que repetir, até achar a sua receita.
Ofertar o vinho, dividir o pão. É uma maneira singela de comemorar os ritos necessários que possam conter nossas aflições.
Desejamos que você tenha paciência e um ano próspero!
Tati e May
Acompanhe também: