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    ESG na Prática

    Entre a pandemia e a exploração: o dilema do trabalho infantil

    24 de dezembro de 2023Updated:25 de dezembro de 2023Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    Na minha coluna “ESG na Prática” desta semana, destaco um preocupante crescimento no trabalho infantil no Brasil. Baseado num artigo da revista Exame e um estudo recente do IBGE, que analisou o período de 2016 a 2022, foi constatado um aumento significativo, atingindo cerca de 1,881 milhão de crianças.

    O levantamento revelou um incremento de 7% em 2022, comparado a 2019, onde 1,758 milhão de crianças estavam empregadas. Este aumento pode ser parcialmente atribuído aos efeitos da pandemia de covid-19, que interrompeu a coleta regular de dados em 2020 e 2021 e impactou o emprego, forçando mais crianças a contribuir para a renda familiar.

    Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE, ressalta que a falta de dados durante os anos de pandemia dificulta uma análise precisa, mas é evidente que a crise sanitária teve um papel relevante neste crescimento. A pesquisa, alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 8 da ONU, busca promover trabalho decente e crescimento econômico, incluindo a erradicação das piores formas de trabalho infantil.

    Um aspecto crucial da pesquisa do IBGE é a definição do que constitui trabalho infantil, considerando fatores como idade, tipo de atividade econômica, horas trabalhadas, frequência escolar e natureza do trabalho. A classificação é feita de acordo com a faixa etária: qualquer trabalho é proibido até os 13 anos; dos 14 aos 15 anos, apenas como aprendiz; e dos 16 aos 17 anos, com restrições.

    Crianças em trabalho Infantil
    Trabalho Infantil (Foto: Reprodução)

    Leia mais na coluna ESG na Prática

    Este cenário reflete a complexidade e a urgência de abordar o trabalho infantil, não apenas como uma questão socioeconômica, mas também como um imperativo ético e de desenvolvimento sustentável.

    Não obstante, acredito que todos perceberam que após a pandemia, há cada vez mais crianças em nossos sinais de trânsito em nossa cidade vendendo “paçoquinhas”.
    Essa crianças são controladas por “máfias” de adultos que as levam para os sinais de trânsito, os supervisionam à distância e os gerenciam como querem!!

    Mesmo com a implementação do programa da Prefeitura de São José dos Campos, a chamada abordagem especializada do Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), que até fevereiro deste ano, ajudou 155 crianças e adolescentes a voltarem a estudar ou foram encaminhados para a Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza), para programas de trabalho protegido, como o Jovem Aprendiz, e também o trabalho das viaturas da Prefeitura em ação pela cidade, ainda vejo o número de crianças nos sinais de trânsito aumentar.

    Para assegurar o progresso de uma cidade que se destaca em áreas como Tecnologia e Inovação, Economia diversificada, Educação de qualidade, Sustentabilidade e Governança, é fundamental abordar a questão do trabalho infantil com a sensibilidade e seriedade que ela exige. Mais do que isso, é vital investigar e entender as causas e os responsáveis por trás dessa exploração em nossa sociedade.

    Sempre posiciono que as ações relacionadas ao ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) começam com nossas pequenas ações diárias.
    Portanto, é nosso dever colaborar com a administração pública na luta contra o trabalho infantil. Se você presenciar essa infração, é importante agir e denunciar – as chamadas são gratuitas e podem ser feitas para o Disque 100 (Direitos Humanos) de qualquer lugar do Brasil, ou através do número 156 para contatar diretamente a Prefeitura.

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    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Luís Magalhães

    Luís Magalhães

    Luís Fernando Carneiro Magalhães é co-fundador e sócio-diretor da srtatup joseense O2eco Tecnologia Ambiental, cujo objetivo é deixar um impacto positivo no meio ambiente. Estudou Agronomia na UFFRJ e Business & Marketing na Universidade Católica da Austrália e na Universidade de Canberra.
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