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    Dezembrite

    24 de dezembro de 2023Nenhum comentário6 Minutos de Leitura
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    “A incidência desse transtorno é mais recorrente em países em que há maior variação de temperatura e luz solar nos períodos de outono e inverno, pois os dias tendem a ser mais escuros e frios. Em países tropicais como o Brasil, em que essa variação de luz e temperatura não costuma ocorrer de forma abrupta, a depressão do fim de ano pode se desenvolver a partir de outros fatores causadores. Um estudo feito pela International Stress Management Association Brasil (ISMA-BR) revelou que o nível de stress do brasileiro aumenta cerca de 75% no mês de dezembro“.

    https://psiquiatriapaulista.com.br/dezembrite-por-que-algumas-pessoas-ficam-depressivas-no-fim-do-ano/

    E você está nos 75% ou nos 25%?

    Quadro colorido, relacionado ao termo dezembrite que é falado no texto
    (Foto: Divulgação)

    Tirania da positividade

    O inevitável balanço entre o que realizamos neste ano e o que tínhamos planejado na virada do ano passado pode nos trazer frustração, angústia, nostalgia, sensação de fracasso e por aí segue. Essa autocobrança aumenta com a exigência de mostrar felicidade nas redes sociais se você precisa da sua audiência on line, a tirania da positividade. 

    Uma das funções das redes sociais é nos permitir apresentar a nossa realidade como desejamos. Brincar de faz de conta e mostrar um recorte nosso. Afinal, somos fotógrafos, cineastas, editamos textos, colamos imagens, inserimos musicas, copiamos exaustivamente tudo que nos atrai. Portanto, fazemos o roteiro e a direção de arte. Mas precisamos cuidar dos nossos sofrimentos e das armadilhas do consumo. Não nego que as retrospectivas automáticas das redes sociais são divertidas.

    Lembrando do copo meio cheio meio vazio, prefiro optar, não sem esforço, para o meio cheio – as realizações e conquistas. Pode ser muito proveitoso esse momento de motivação extra de final de ano para propormos realizar em 2024 o que desejarmos. Também pode significar deixarmos de fazer algo. Nossa vida não é tudo ou nada. Mas o efeito de pensar um novo começo nos dá a chance de pensar a vida em capítulos, marcada por eventos importantes. Podemos interromper uma narrativa contínua que não queremos mais. 

    Os tópicos mais desejados são – perder peso, ganhar mais dinheiro e mudar de trabalho. A lista é farta. Caberia alguma atitude mais altruísta? 

    Fresh start effect

     Quando nos comprometemos com mudanças, já sabemos que não serão todas alcançadas e poderíamos evitar frustações futuras. Tomemos cuidado com as propostas muito desafiadoras pois exigirão esforços maiores. Sejamos mais gentis com nós mesmos. Inserir mudanças como doses homeopáticas no dia a dia têm mais chance de sucesso. 

    Existe também o fresh start effect, efeito do novo começo, onde datas simbólicas como o Ano Novo são gatilhos perfeitos para pensarmos em mudanças. As tais reflexões sobre as dificuldades que enfrentamos para realizar o que não conseguimos em 2023 e que propomos superar. Manter novos hábitos é muito desafiador então aproveitemos esta data motivadora que estatisticamente nos favorece. 

    Desistir e mudar a rota são possibilidades reais. E que alívio poder desistir de algo. Eu não usaria a palavra desistir. Acredito que enfrentar os desafios que nos colocamos nos trazem perspectivas que não imaginávamos antes. O contexto é muito complexo. Assim vamos optando por variáveis que nos fazem perceber uma possibilidade diversa da inicial. Isso é processo. 

    Metas muito audaciosas geram expectativas idem. Podem até ser uma possibilidade de desconectarmos de nossas imperfeições. De olharmos nossas vidas como Big Pictures. Pensarmos somente grandes momentos nos roteiros que criamos, fotografamos e postamos nas redes sociais. Mas na virada para 2025 o nosso Dezembrite nos aguarda.

    Assim escreveu Mark Twain

    A prática de estabelecer objetivos em uma data específica do calendário já era comum nos anos 1860, como se pode ver em uma das cartas de Mark Twain. “Ontem, todos fumaram seu último charuto, tomaram sua última bebida e fizeram seu último juramento”, escreveu o escritor norte-americano em 1° de janeiro de 1863.

    “Hoje, somos uma comunidade piedosa e exemplar. Daqui a 30 dias, teremos abandonado nossa reforma aos ventos e saído para retomar nossas antigas imperfeições muito mais cedo que das outras vezes. Também relembraremos alegremente como fizemos o mesmo na mesma época, no ano passado”, acrescentou. https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-59699720

    Final de ano e Natal estão recheados de fatos históricos, religiosos e culturais.

    No Brasil, temos algumas tradições como pular sete ondas e usar roupas brancas. Essa tradição das sete ondas tem origem na divindade africana vinda da Nigéria, incorporada pelo candomblé e umbanda – Iemanjá, a Rainha do Mar. O uso das roupas brancas tem origem nos anos 70, quando os membros do candomblé realizaram suas oferendas na praia de Copacabana e o ritual chamou atenção pela sua beleza.

    Já o termo Réveillon surgiu no século 17, na França, representava festas da nobreza que duravam a noite toda. Vem da palavra acordar em francês. 

    É no encontro da expectativa com a realidade que viveremos o ano de 2024, estamos virando uma página, mas não somos uma folha em branco.

    Você já fez a sua lista de mudanças, desejos? Coragem.

    Fiz uma. Eu já disse certa vez que gosto de utopias e isso pode parecer naif. Estou atenta á tirania da positividade e minha vida não é uma Big Picture, já mudei algumas vezes as narrativas. Consigo diferenciar as construções mediáticas que tentam nos vender argumentos superficiais.

    Seguem meus desejos.

    Desejo imensamente que meus filhos e netos, toda minha família, amigos queridos e vocês tenham muita saúde e prosperidade em 2.024.

    Leia mais: Nem tribo, nem bolha. Isto é criatividade expandida.

    Os desejos de Pitiu

    Desejo que nosso país fortaleça mais e mais a democracia e traga benefícios para os menos favorecidos.

    Desejo que os preconceitos diminuam e que possamos conviver com a diversidade humana com respeito e solidariedade.

    Desejo que cada criança brasileira tenha respeitado seus direitos de cidadania.

    Desejo que a Arte e Cultura sejam importantes politicamente em nossa cidade.

    Desejo que os jovens artistas de nossa cidade tenham oportunidades de aprender e realizar suas expressões artísticas.

    Desejo que os Espaços Culturais Independentes de nossa cidade sejam tratados com mais respeito.

    Desejo que o Museu Municipal funcione como um MUSEU.

    Desejo que o Atelier de Artes Visuais Johann Gutlich seja reativado e reviva com novas perspectivas seus grandes momentos de praticas e ensino.

    Desejo que a Cultura da Infância seja contemplada.

    Desejo que o Plano Municipal de Cultura seja aprovado na Câmara Municipal.

    Desejo que os galpões da Tecelagem Parahyba sejam restaurados e tenham ocupações artísticos culturais de todas as linguagens artísticas.

    Desejo que os jardins do Parque da Cidade sejam restaurados e tenham manutenção constante.

    Desejo que a Residência Olivo Gomes seja restaurada e tenha atividades artísticos culturais permanentes abertas ao público.

    Desejo que se inicie um programa de arte publica por toda a cidade.

    Desejo que a guerra da Ucrânia acabe. País onde tenho uma amiga artista querida que enfrenta essa terrível realidade no seu dia a dia. Que todas as guerras caminhem para uma solução de paz.

    Desejo que o Plano Popular de Urbanização e Regularização Fundiária do Banhado se concretize. https://banhadoresiste.org/materiais/plano-popular-banhado.pdf 

    Continuarei apoiando as iniciativas artístico- culturais independentes em 2024.

    Tenho planos para meu desenvolvimento profissional e pessoal.  

    Somos mais felizes nas redes sociais do que na vida real? 

    Acompanhe também: 

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    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Pitiu Bomfin

    Pitiu Bomfin

    Artista plástica, curadora e educadora. Formada em Desenho Industrial pela FAAP / SP com pós graduação em Artes Plásticas pela ECA/USP e estudos em Arquitetura.
    Realiza trabalhos de curadoria além de cenografias e figurinos para grupos de teatro.
    Sua pesquisa artística envolve a fotografia, a pintura e processos gráficos muitas vezes utilizando referencias icônicas da historia da arte.
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