Se você assistiu a Seven – Os Sete Crimes Capitais, 1995); Clube da Luta, 1999; A Garota Exemplar, 2014; para citar alguns, vai se apaixonar pelo último filme de David Fincher.
Confesso que vou precisar rever (algumas vezes) para desfrutar de todos os prazeres que o filme proporciona.

E não sou aficionada por filmes de ação. Sou cinéfila, uma apaixonada pela telona, que deixou de ir ao cinema quando permitiram a pipoca na plateia. Ou vejo o filme em silêncio ou assisto na tevê (posso falar sozinha ou com quem estiver ao lado).
Começando pela direção de David Fincher. O cara é quase tão perfeccionista quanto Stanley Kubrick. Nada é ao acaso. Cada sequência tem um propósito, a fotografia é elegante até não mais poder. Tudo é uma tentativa de controlar o caos. Até num dos mantras do protagonista sem nome (ou com muitos nomes): “antecipe, não improvise”.
Fincher se supera ao retirar os preciosismos de filmes anteriores. Aqui, torna-se mestre do ‘menos é mais’. Está maduro, refinado. Sua filosofia de “todos os humanos são perversos” torna o seu assassino num simples trabalhador, que segue o plano, faz o que precisa ser feito e acha que nada é pessoal.
Michael Fassbender, há quatro anos sem atuar porque se preparava para uma corrida de carros (veja no Youtube: Michael Fassbender: Road to Le Mans), faz o personagem metódico, que tem batimentos cardíacos abaixo de 65 e não pisca em nenhuma cena, com precisão suíça. Foram 10 semanas de treino físico (com aulas de Yoga e de como montar um rifle de precisão). Está esplêndido.
Nas primeiras cenas, Fassbender sentado imóvel, diante de uma janela, contempla a rua: “Paris não desperta como as outras cidades, é lenta! É impressionante como pode ser exaustivo não fazer nada”.
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Ele faz os exercícios matinais com precisão matemática. “Atenha-se ao plano”. O enquadramento é perfeito. A câmera fixa, enquanto ele sobe e desce nas flexões. Tudo é exato, até não ser mais. Caos. E ele sai para buscar quem quase mata sua namorada (Sophie Charlotte).
E aprendemos como fazer uma mala enxuta e necessária:

O roteiro é uma adaptação da HQ francesa, escrita por Alexis Nolent (sob o pseudônimo Matz) e ilustrada por Luc Jacamon.
Um dos personagens descreve Tilda Swinton como um Cotonete! Nada mais preciso. Um cotonete mortal.
O assassino, que se sente comum entre os comuns, ouve The Smiths. Ele diz que “a música evita que a voz interna se distraia”. Numa entrevista, do século passado, Morrissey afirmou que escolheu o nome The Smiths “porque dos nomes era o mais comum” e por pensar que “era o momento em que as pessoas comuns mostravam seus rostos”.
Recomendo vivamente. Se você gostou (ou não) do filme, deixe aqui sua opinião. Vamos trocar ideias!
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