Eu sempre digo que práticas de ESG são melhores disseminadas em empresas nas quais colaboradores possuem hábitos mais sustentáveis em casa, desde a preocupação com o desperdício de água e energia, até a reciclagem do lixo.
Muitas vezes, porém, esquecemos que ESG não é apenas sustentabilidade. A composição da sigla traz aspectos importantes como, por exemplo, a governança dessa “mini empresa”, que chamamos de “lar”, onde o papel da mulher se faz vital para sua sobrevivência. As mulheres trazem para si a responsabilidade na maioria das vezes, mas sua visibilidade e reconhecimento são ínfimos se comparados aos homens, principalmente no mercado de trabalho.

Não obstante, esse mês o prêmio Nobel de Economia foi concedido à americana Cláudia Goldin, professora do departamento de Economia da Universidade de Harvard. Cláudia Golden é a primeira mulher titular na cadeira e a terceira a receber o prêmio Nobel de Economia. Pela primeira vez foi realizada uma pesquisa abrangente sobre a participação da mulher no mercado de trabalho ao longo dos dois últimos séculos.
Ao anunciar a premiação, a Real Academia Sueca de Ciências destacou os estudos de Goldin sobre os rendimentos e a participação das mulheres no mercado de trabalho, ao longo dos séculos.
“Cláudia Goldin vasculhou arquivos e recolheu mais de 200 anos de dados dos EUA, o que lhe permitiu demonstrar como e por que as diferenças de gênero envolvendo remuneração e as taxas de emprego se transformaram ao longo do tempo”, afirmou o secretário-geral da Real Academia, Hans Ellegren.
O papel da mulher no mercado de trabalho ainda mostra uma diferença significativa. Em termos globais, elas representam 50% da força de trabalho, sendo que entre os homens esse número chega a 80%. E é comum as mulheres receberem salários inferiores em relação aos homens, mesmo em países desenvolvidos!
O trabalho de Goldin mais uma vez traz luz a questão da licença maternidade, da defasagem salarial, e como a decisão da mulher no mercado de trabalho passa por fatores decisórios como construção e criação de filhos e claro, a conciliação da carreira profissional.
O trabalho de Goldin expõe ainda de forma clara, que as diferenças salariais entre homens e mulheres não se referem mais ao acesso à educação e sim estão relacionadas a uma questão estrutural. Essa defasagem salarial acontece até quando ambos os gêneros tem a mesma posição e formação acadêmica.
Segundo as últimas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil, em julho deste ano os homens recebiam salários 22% maiores que as mulheres. E os dados nos mostram ainda que as mulheres possuem índices 32% mais baixos nas dimensões de vida e saúde; educação, capacitação e conhecimento; inclusão no mercado do trabalho e financeira; e participação na tomada de decisões.
Ainda seguindo os dados do IBGE, as mulheres brasileiras dedicaram 9,6 horas a mais do que os homens por semana a afazeres domésticos ou cuidados de pessoas em 2022. Portanto, para começarmos a exigir igualdade no mercado de trabalho, devemos antes sermos o exemplo numa esfera menor, porém a mais importante da sociedade, nossos lares.
Como cita o jornalista e escritor Alexandre Teixeira “enquanto não houver igualdade plena entre casais nos cuidados domésticos/familiares, a disparidade (no mercado de trabalho) existirá”
O ESG começa em casa!