Ocorreu em Belém (PA), nos dias 8 e 9 de agosto, a Cúpula da Amazônia – reunião entre diferentes líderes políticos de países que têm parte do bioma amazônico em seu território. O objetivo, fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Foram oito os países que assinaram a “Declaração de Belém”: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, porém segundo os especialistas, o texto final ficou “frágil e superficial” e sem uma meta comum de desmatamento ou veto à exploração de petróleo na região amazônica.
Os pontos positivos foram alguns consensos e alertas sobre áreas críticas da Amazônia, mas ainda sem medidas concretas, que precisam evitar o “ponto do não retorno” na região, isto é, a aceleração do desmatamento na Amazônia que não conseguirá se sustentar mais naturalmente e tem como consequência tornar uma savana, com efeitos sem precedentes para o planeta, segundo o pesquisador Carlos Nobre, autoridade mundial no assunto.
Outro ponto em destaque foi a decisão de cobrarem os países desenvolvidos com pagamentos para mitigarem mudanças climáticas e seus impactos, como também uma fiscalização efetiva entres os países do OTCA na região.
Walk the Talk: Cúpula para inglês ver!
Numa análise direta, a Cúpula da Amazônia deixou a desejar e apenas mostrou que o governo Lula não está efetivamente focado em bater a sua meta de desmatamento zero até 2030 – que era considerado uma das principais pautas.
O acordo deixa muito subjetivo as responsabilidades, deveres e ações práticas para um objetivo tão desafiador.
No entanto, o que mais decepcionou a todos foi a forma evasiva que o presidente Lula tratou o tema sobre a extração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. O presidente da Colômbia foi o único a defender e pressionar os países e foi enfático ao pedir o fim do assunto da extração de petróleo na Amazônia, que infelizmente não entrou no corpo do documento.
Apesar do tom brando de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, em dizer que “o processo de negociação é sempre um processo mediado…e progressivo”, fica cada vez mais nítida a impressão de que o governo atual usou o tema ambiental como plataforma eleitoral, que quer amenizar pontos isolados, mas não resolver de forma efetiva os desafios da região, como a questão da demarcação e proteção dos povos originários que têm muito a nos ensinar em tempos de mudanças climáticas.
“Walk the talk” – A expressão na língua inglesa que significa “faça o que fala”, expressa de forma clara o que o governo atual não tem feito na questão ambiental e que, inclusive, vai no caminho oposto ao que criticou e prometeu em campanha presidencial. Se não mudar o seu discurso e curso de suas ações, o governo irá não apenas perder eleitores, mas também apoio e força política internacional.
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