Você se lembra de quando estava no grupo escolar e no início de agosto a professora pedia uma redação contando sobre as férias? Sempre escrevia sobre os passeios a pé, o ribeirão da fazenda, a bagunça com os primos. Não é que eu inventasse, mas a memória é seletiva e tem lentes distorcidas.
Com o tempo, não mais havia a redação escolar e as férias diminuíram de tamanho.

Quando veio a pandemia, já não viajava há anos. E então, a vida se impôs, fortemente, nos fazendo exercer a arte do improviso. Férias, para que te quero?
No fim de maio, proponho uma viagem com os netos, que aceitam de pronto. Destinos, trajetos, passagens, hotéis, reservas. Como é complicado planejar. Por sugestão da filha, resolvemos passear pelas cidades históricas de Minas Gerais. A neta mais velha, 19, e o irmão, 15, como navegadores e responsáveis pela trilha sonora e vovó na direção. On the Road por mais de mil e quatrocentos quilômetros.
A cada parada, várias pesquisas, comida de fogão a lenha e muita caminhada.
Tomamos águas em Caxambu, ouvimos os sinos de São João del Rei, visitamos Tiradentes, Prados e Congonhas. Dormimos em Bichinho, chez @gloria_nas_bistro. Cachoeiras isoladas em Brumadinho.
Os dois dias finais no Instituto Inhotim, com os ricos biomas, em 140 hectares da Mata Atlântica e do Cerrado. Arte e natureza em abundância, complementares, distintas. São mais 700 obras de mais de 60 artistas, de quase 40 países, e mais de 4,3 mil espécies botânicas raras, vindas de todos os continentes.
A imersão no vazio, os passos sobre vidros estilhaçados, os sons da terra, os jardins dos sentidos.
Quero mais, quero muito. Férias com netos! Falta muito pra chegar?
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