Esta semana, 21 do maiores bancos do país lançaram um compromisso alinhado à pauta ESG e o desmatamento da Amazônia. Os bancos estabeleceram que apenas receberão empréstimos os frigoríficos que mostrarem a rastreabilidade dos seus fornecedores e que comprovem que seu produto não seja proveniente da Amazônia legal e norte do Maranhão. Com essa decisão, os frigoríficos têm até dezembro de 2025 para se adequarem à nova norma.
A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) já estudava a regulação desde o ano passado e teve adesão voluntária de grandes bancos como BTG Pactual, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Safra entre outros.
Grandes frigoríficos, como Marfrig, JBS e Minerva já possuem metas de eliminar o desmate ilegal em todo seu processo e já vêm aproveitando o avanço tecnológico no Agro para implementar sistemas próprios e eficientes de rastreio. Mas ainda há uma barreira de dificuldade que é o rastreio total, dos pequenos criadores indiretos que dificultam a ação por parte dos frigoríficos.

Pressão Europeia
E o cerco se fecha diante do cenário preocupante da região Amazônica que afeta diretamente as mudanças climáticas no planeta. A União Europeia já emitiu um parecer sobre a posição da entidade, que diz que não tolerará importação de commodities ligadas à qualquer tipo de desmatamento, portanto corre-se contra o tempo para uma adequação comercial e evitar maiores danos financeiros.
Dicotomia do problema
a ABIEC (Associação Brasileira da Indústrias de Exportadores de Carne), por sua vez, liberou uma nota em tom forte, dizendo que- “os fornecedores indiretos da indústria são clientes diretos de bancos, portanto é responsabilidade dessas instituições conhecer o seu cliente”, o que sugere, na visão da ABIEC, que há uma transferência (ou talvez até uma isenção) de responsabilidade por partes dos bancos, pois sua carteira de clientes é vasta e atinge atores que contribuem diretamente ou indiretamente com o desmatamento da região Norte do país.
É verdadeiramente importante tais ações como as dos bancos que trazem à tona os aspectos ESG no mercado, porém é mais importante estar à frente dessas ações, dando sentido do termo usado em Inglês, “walk the talk”, que se traduz em “faça o que diz”, que no caso dos bancos os levam para uma reflexão interna se em sua cadeia de investimentos e conduta financeiras estão realmente fazendo o seu papel ESG de forma efetiva.
Os embates sobre as políticas ESG estão em toda a parte e não apenas no Brasil.
Estou nos EUA, e aqui não é diferente. Vemos um país polarizado politicamente e que também afeta as ações ESG no país onde claramente há movimentos do Partido Republicano e mais conservador tentando frear políticas ESG e, do outro lado, o Partido Democrático com uma visão mais progressista que traz naturalmente uma agenda social e ambiental mais robusta.
É um processo longo, de mudanças estruturais e de paradigmas, mas apesar de perceber alguns movimentos contrários nos EUA, que possui as maiores empresas privadas do mundo, é claro para mim que esse movimento que traz uma visão mais sustentável, mais humana no mercado de trabalho, e uma governança mais transparente e atual, veio para ficar. E quanto antes as empresas perceberem que aplicando políticas ESG há mais chances de enfrentarem crises, obterem créditos e um sucesso longevo em suas operações.
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