Em meio ao sentimento de desamparo e angústia, as famílias afetadas pelas fortes chuvas em São Sebastião necessitam, a partir de agora, de um forte acolhimento psicológico. É o que explica o psicólogo Fernando Ferreira, cuja atuação é voltada a São José dos Campos e à região do Vale do Paraíba.
Em entrevista ao Portal SP RIO+, o especialista destacou as principais necessidades psicológicas destas pessoas. Segundo ele, essa hospitalidade deve partir não somente dos terapeutas e autoridades públicas, mas também dos familiares e amigos.
“Só de a pessoa se sentir ouvida e acolhida, isso já tem efeitos terapêuticos sobre ela. Além disso, é necessário uma postura cooperativa, na qual seja oferecido algum tipo de ajuda e suporte, não necessariamente financeiro. Pode ser uma ajuda na reconstrução do lar, na limpeza, na reorganização da casa etc. Isso ajuda a lidar com o sentimento de desamparo”, explicou.

Importância da terapia psicológica
A angústia causada pela destruição de suas casas pode levar os moradores a desenvolverem transtorno de estresse pós-traumático ou até mesmo depressão. Segundo o psicólogo Fernando Ferreira, a patologia é desenvolvida a partir de um susto ou um acontecimento inesperado, que gera uma série de respostas relacionadas ao estresse e ansiedade, acompanhada de tensões.
“Eu gosto de dar o exemplo de uma estrada esburacada em que você tem que passar. No entanto, você pode influenciar essa passagem. Se passar correndo, o carro pode danificar. Mas você não pode não passar. Então você faz o caminho de uma maneira que não cause danos ao veículo”, exemplificou.
Para o especialista, a postura do terapeuta durante o tratamento será decisiva na permanência ou não do paciente.
“O terapeuta deve ter uma postura acolhedora, empática, de modo a acolher o sofrimento da pessoa, de forma menos incisiva e agressiva. Isso ajuda a aderência do paciente ao tratamento. Outro fator que influencia o abandono é quando o paciente sente que o terapeuta não está se preocupando”.
Tempo de tratamento
Diante deste contexto, o psicólogo explicou que as terapias voltadas aos traumas não possuem um tempo específico e que cada pessoa reage de uma forma diferente.
“É uma situação na qual não cabe uma resolução, pois é uma situação similar ao do luto. Mesmo aquelas que não perderam alguém, trata-se de um luto. Afinal, a cidade foi toda acometida. É um problema a ser vivenciado”, explicou.
Contudo, com sua experiência profissional, Fernando Ferreira disse que um tempo médio para que o paciente colha bons resultados é 6 meses a 2 anos.
Atendimentos de baixo custo
Ainda durante a entrevista ao Portal SP RIO+, o psicólogo destacou as opções de tratamentos disponíveis para as pessoas de baixa renda.
“Elas podem recorrer a instituições religiosas, como a Igreja Católica e algumas igrejas evangélicas, que contam com psicólogos próprios destas comunidades, que oferecem tratamento em valor mais baixo”.
Além das instituições religiosas, o especialista destacou as universidades.
“As que possuem curso de psicologia possuem uma clínica-escola. Esses atendimentos são gratuitos ou possuem uma pequena taxa de contribuição”, explicou.
Apoio do poder público
A Defesa Civil de São Sebastião já anunciou que a fase de acolhimento psicológico das pessoas afetadas pelas fortes chuvas em São Sebastião.
No final de fevereiro, o Governo de São Paulo também anunciou que equipes do Centro de Referência e Apoio a Vítimas (CRAVI) são os responsáveis por cuidar do acolhimento das vítimas por psicólogos e assistentes sociais.
Tragédia no Litoral Norte/São Sebastião
A tragédia no Litoral de São Paulo aconteceu na madrugada de sábado (18) para domingo (19), durante o feriado de Carnaval.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo já havia alertado para chuvas intensas no período, principalmente no litoral norte.
A cidade de São Sebastião foi uma das mais afetadas pelo temporal. A programação de Carnaval do dia precisou ser cancelada.
Para auxiliar as famílias prejudicadas, a Prefeitura iniciou uma campanha de arrecadação de água potável, alimentos não perecíveis, materiais de limpeza, vestimentas, roupas de cama e fraldas infantis e adultas.
Devido ao grande de número de doações, o prefeito Felipe Augusto (PSDB) pediu para que as pessoas parassem de enviar enviar os itens. Foram mais de 300 toneladas arrecadadas em donativos.
Sobre o psicólogo Fernando Ferreira
Fernando Ferreira é psicólogo, especialista no tratamento de ansiedade, com especialização em terapia corporal. Atua com jovens e adultos em seu consultório em São José dos Campos.
Fernando tem como orientação teórica a psicologia existencial humanista que segue uma linha mais filosófica e reflexiva em seus atendimentos.
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