Uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o Brasil ainda está longe da equidade de gênero dentro do mercado de trabalho. O levantamento aponta que elas saem na frente no desemprego, menor salário, menor rendimento médio mensal e menor inserção trabalhista, principalmente as mulheres chefes de família.
O estudo, que refere-se ao 3º trimestre de 2022, mostra que no total da força de trabalho no país, 44% são mulheres. Porém, elas também representaram a maioria entre os desempregados, chegando a 55,5%.

Em termos de rendimentos, as mulheres ganharam, em média, 21% a menos do que os homens, o equivalente a R$ 2.305 para elas e a R$ 2.909 para eles. Por setor, mesmo quando as mulheres eram a maioria, elas recebiam menos. Nos serviços domésticos, por exemplo, as trabalhadoras representavam cerca de 91% dos ocupados no setor e o salário foi 20% menor do que o dos homens.
Nos setores de educação, saúde e serviços sociais, as mulheres totalizaram 75% dos ocupados e tinham rendimentos 32% menores do que os recebidos pelos homens do mesmo setor.
Mulheres chefes de família
Além disso, a composição familiar considerada “tradicional” foi se alterando nos últimos tempos. Segundos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PnadC) feita pelo IBGE, as famílias monoparentais com filhos e chefia feminina (“mães solo”), representaram cerca de 14,7% dos arranjos, muito mais comuns do que aquelas com chefia solo masculina, com 2,3% em 2022.
Desses 14,7%, a pesquisa mostrou que 34,2% das famílias dessas mulheres consistiam em arranjos familiares com filhos.
A maioria dos domicílios do Brasil são chefiados por mulheres. Dos 75 milhões de lares, 50,8% tinham liderança feminina, correspondente a 38,1 milhões de famílias. As mulheres negras lideraram a pesquisa: 21,5 milhões de lares chefiados por elas, uma porcentagem de 56,5%.
Em comparação a renda média do trabalho da família, núcleos monoparentais e unipessoais femininos marcaram os menores valores, R$ 2.833 e R$ 2.913, respectivamente.
Mulheres negras
Quando se olha por cor, a renda das famílias negras foi sempre menor que a das não negras, independente do arranjo familiar. Famílias chefiadas por mulheres negras com filhos tiveram uma renda média de R$ 2.362, diz a pesquisa.
A pesquisa do Dieese mostra mais um dado preocupante: a renda do trabalho per capita nos lares monoparentais com filhos e chefia feminina tiveram renda de apenas R$ 789, enquanto no arranjo monoparental com filhos e chefia masculina o valor per capita foi de R$ 1.198.
No total, são 11,053 milhões de famílias com mulheres na chefia, 61,7% chefiadas por negras e 38,3% por não negras. Um comparativo também muito importante pontuado na pesquisa é que a taxa de desemprego das chefes negras foi de 13%, enquanto das não negras foi de 8,8%. Entre as inseridas no mercado de trabalho, uma em cada quatro mulheres negras chefes de família eram empregadas domésticas, dentre elas, 20,6% não têm carteira assinada.
A desigualdade de gênero do mercado de trabalho segue um caminho longo, com mais mulheres ganhando menos e se inserindo de forma precária, perpetuando a vulnerabilidade não só da mulher chefe de família, mas de todos os presentes no arranjo familiar, podendo até contribuir para a transferência de milhares de crianças e jovens da escola para o mercado de trabalho, para que ajudem com a renda familiar.
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Violência
Dados coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, apenas no 1º semestre de 2022, uma mulher foi assassinada a cada 6 horas. No total, 699 mulheres foram mortas em situações de violência doméstica ou devido a questões que envolvem desdém ou discriminação à condição de mulher, mais conhecido como feminicídio.