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    Destaque

    Pesquisa mostra que mulheres chefes de família são as que mais sofrem com desigualdade no mercado de trabalho

    7 de março de 2023Updated:7 de março de 2023Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
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    Uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o Brasil ainda está longe da equidade de gênero dentro do mercado de trabalho. O levantamento aponta que elas saem na frente no desemprego, menor salário, menor rendimento médio mensal e menor inserção trabalhista, principalmente as mulheres chefes de família.

    O estudo, que refere-se ao 3º trimestre de 2022, mostra que no total da força de trabalho no país, 44% são mulheres. Porém, elas também representaram a maioria entre os desempregados, chegando a 55,5%.

    Mulheres chefes de família são as que mais sofrem com desigualdade no mercado de trabalho, diz pesquisa
    Foto: Ministério da Cidadania

    Em termos de rendimentos, as mulheres ganharam, em média, 21% a menos do que os homens, o equivalente a R$ 2.305 para elas e a R$ 2.909 para eles. Por setor, mesmo quando as mulheres eram a maioria, elas recebiam menos. Nos serviços domésticos, por exemplo, as trabalhadoras representavam cerca de 91% dos ocupados no setor e o salário foi 20% menor do que o dos homens.

    Nos setores de educação, saúde e serviços sociais, as mulheres totalizaram 75% dos ocupados e tinham rendimentos 32% menores do que os recebidos pelos homens do mesmo setor.

    Mulheres chefes de família

    Além disso, a composição familiar considerada “tradicional” foi se alterando nos últimos tempos. Segundos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PnadC) feita pelo IBGE, as famílias monoparentais com filhos e chefia feminina (“mães solo”), representaram cerca de 14,7% dos arranjos, muito mais comuns do que aquelas com chefia solo masculina, com 2,3% em 2022.

    Desses 14,7%, a pesquisa mostrou que 34,2% das famílias dessas mulheres consistiam em arranjos familiares com filhos.

    A maioria dos domicílios do Brasil são chefiados por mulheres. Dos 75 milhões de lares, 50,8% tinham liderança feminina, correspondente a 38,1 milhões de famílias. As mulheres negras lideraram a pesquisa: 21,5 milhões de lares chefiados por elas, uma porcentagem de 56,5%.

    Em comparação a renda média do trabalho da família, núcleos monoparentais e unipessoais femininos marcaram os menores valores, R$ 2.833 e R$ 2.913, respectivamente.

    Mulheres negras

    Quando se olha por cor, a renda das famílias negras foi sempre menor que a das não negras, independente do arranjo familiar. Famílias chefiadas por mulheres negras com filhos tiveram uma renda média de R$ 2.362, diz a pesquisa.

    A pesquisa do Dieese mostra mais um dado preocupante: a renda do trabalho per capita nos lares monoparentais com filhos e chefia feminina tiveram renda de apenas R$ 789, enquanto no arranjo monoparental com filhos e chefia masculina o valor per capita foi de R$ 1.198.

    No total, são 11,053 milhões de famílias com mulheres na chefia, 61,7% chefiadas por negras e 38,3% por não negras. Um comparativo também muito importante pontuado na pesquisa é que a taxa de desemprego das chefes negras foi de 13%, enquanto das não negras foi de 8,8%. Entre as inseridas no mercado de trabalho, uma em cada quatro mulheres negras chefes de família eram empregadas domésticas, dentre elas, 20,6% não têm carteira assinada.

    A desigualdade de gênero do mercado de trabalho segue um caminho longo, com mais mulheres ganhando menos e se inserindo de forma precária, perpetuando a vulnerabilidade não só da mulher chefe de família, mas de todos os presentes no arranjo familiar, podendo até contribuir para a transferência de milhares de crianças e jovens da escola para o mercado de trabalho, para que ajudem com a renda familiar.

    Leia mais: Jovens são os mais afetados pelos efeitos da pandemia, mostra estudo

    Violência

    Dados coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, apenas no 1º semestre de 2022, uma mulher foi assassinada a cada 6 horas. No total, 699 mulheres foram mortas em situações de violência doméstica ou devido a questões que envolvem desdém ou discriminação à condição de mulher, mais conhecido como feminicídio.

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