Em tempos de tempestades, circula nas redes sociais um poema do reconhecido escritor Sérgio Vaz, no qual ele sintetiza, com palavras cruas, os dramas daqueles que perderam tudo na recente tragédia no Litoral Norte.
O poema é curto, expressivo, lembra algo de João Cabral de Mello Neto, e brota de um cenário de lama, de barro, e de certa desilusão e melancolia que atinge principalmente as famílias mais carentes.
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Veja o poema na íntegra:
TEMPORAL
A MULHER REPLETA DE LAMA, CHORA
O HOMEM FEITO DE BARRO DESABA EM LÁGRIMAS
DE AÇO MESMO SÓ A VIDA,
ESSA LÂMINA QUE CORTA SEMPRE
DO MESMO LADOSérgio Vaz
S.O.S. LITORAL NORTE
O escrito foi singelamente bordado, fotografado, e percorre as redes sociais como se fosse a vela de uma embarcação em meio à tormenta que precisa ser domada. É ao mesmo tempo um texto-denúncia. “Poesia para mim é quando ela desce do pedestal e beija os pés da comunidade”, declarou o poeta em novembro do ano passado ao site Brasil de Fato.

Sérgio Vaz é conhecido como “poeta da periferia”, acredita na “utilidade da palavra”. Sabe, portanto, que seu poema-síntese da tragédia no Litoral Norte pode, sim, sensibilizar pessoas para os problemas sociais que permeiam o desastre. Afinal, segundo o poeta, há uma lâmina que “corta sempre do mesmo lado”. Aponta ele as populações empurradas para as áreas de risco?
Os mais de 450 mil seguidores no Facebook sabem que Sérgio Vaz quer mostrar com seus escritos o que está “por trás das coisas”.
Já no Instagram, o escritor possui mais de 248 mil seguidores.
Sobre o poeta Sérgio Vaz
Nascido em 1964, no interior de Minas Gerais, o poeta Sérgio Vaz já escreveu oito livros, organiza saraus e é autor de um projeto social chamado “Poesia contra a violência”, que percorre a periferia de São Paulo levando a palavra poética como parceira da educação, aquela que pensa na formação cidadã.
Quando o Brasil de Fato perguntou sobre suas influências, ele alinhou: bailes black, a MPB de Chico Buarque, Caetano Veloso, Dorival Caymi, Luiz Melodia , Hip-Hop, o poeta chileno Pablo Neruda.
Os interessados nos trabalhos do poeta Sergio Vaz podem começar com os livros Subindo a ladeira mora a noite (1988), A margem do vento (1991), A poesia dos deuses inferiores (2005) e Cooperativa Antropofágica Periférica (2008). O poema que navega as redes sociais também é um bom exemplo da poesia “engajada” de Sérgio Vaz.
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