
Depois de anos fechada para restauração, a Casa Olivo Gomes, um dos patrimônios arquitetônicos mais importantes de São José dos Campos, volta a receber visitantes neste sábado (27). O espaço passa a abrigar oficialmente o Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição que deixa a capital paulista e inicia uma nova fase no Parque da Cidade Roberto Burle Marx.
Projetada na década de 1950 pelo arquiteto Rino Levi para servir de residência ao empresário Olivo Gomes, fundador da antiga Tecelagem Parahyba, a casa é considerada um dos maiores exemplares da arquitetura modernista brasileira. O conjunto ainda abriga jardins concebidos por Roberto Burle Marx, um dos principais paisagistas do país.
A chegada do museu encerra um período de incertezas iniciado em 2023, quando o MCB ficou sem sede após o encerramento do convênio entre o Governo do Estado e a Fundação Padre Anchieta. Desde então, a instituição buscava um novo endereço para receber seu acervo de aproximadamente 900 peças ligadas à arquitetura, ao design e à história do morar no Brasil.

Para o presidente da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Tom Freitas, a escolha de São José dos Campos aconteceu justamente pela importância arquitetônica da residência.
“A Residência Olivo Gomes é uma obra de arte, uma residência modernista. Então faz todo sentido receber o Museu da Casa Brasileira. É um território criativo que temos aqui em São José dos Campos. Faz parte de uma política pública voltada ao fortalecimento do design, da arquitetura, da moda e da economia criativa.”
Antes de receber o museu, o imóvel passou por um extenso trabalho de restauração e adaptação. Segundo Freitas, todo o processo respeitou rigorosamente as diretrizes de preservação aprovadas pelos órgãos de patrimônio, incluindo Conpac, Condephaat e Iphan.
“Foi um trabalho bastante complexo. Tivemos que recuperar cores originais, pisos, acabamentos e adaptar o espaço sem descaracterizar o patrimônio. Até a comunicação visual foi desenvolvida em diálogo com a arquitetura da casa.”





A exposição inaugural, intitulada “Sob a Casa, Outras Casas”, reúne móveis, fotografias e objetos que apresentam diferentes formas de morar no Brasil ao longo da história. Diferentemente de exposições tradicionais, o percurso não possui uma ordem obrigatória, permitindo que cada visitante escolha como explorar os ambientes.
Quem visita a mostra também reencontra a própria residência, cujos espaços preservam características originais da construção assinada por Rino Levi.
Para Malu Gomes, neta de Olivo Gomes, ver a casa novamente aberta ao público representa uma nova etapa para um lugar que marcou sua infância.
“Hoje é uma emoção e um prazer imenso ver a casa revitalizada e sendo ocupada por tantas pessoas. Acho que não poderia existir nada mais apropriado para este espaço do que o Museu da Casa Brasileira.”

Malu acredita que a ocupação permanente devolve vida ao imóvel e acredita que o novo uso contribuirá para preservar tanto a residência quanto sua história.
Outro desejo da família é que a nova fase também contribua para recuperar completamente os jardins idealizados por Roberto Burle Marx, considerados parte essencial do conjunto arquitetônico.
O Museu da Casa Brasileira funcionará regularmente de quinta-feira a domingo, das 9h às 17h.