
Após não conseguir se reeleger como deputado federal, Eduardo Cury (PSDB) afirmou nesta quinta-feira (13) que ainda não decidiu o que fará no próximo ano. Em entrevista à SP RIO+, ele disse que prefere esperar o resultado das eleições presidenciais, cujo segundo turno está marcado para o dia 30 de outubro.
A entrevista na íntegra está disponível ao final desta matéria, no YouTube e no Spotify.
“Eu vou ter que, primeiro, aguardar o resultado da eleição presidencial, porque vai dar a configuração do Brasil. Obviamente, o meu perfil pode ser mais útil dependendo da agenda do próximo presidente. Se for uma agenda de reformas, eu sou uma pessoa útil porque eu criei um elo de relacionamento em São Paulo e em Brasília, muitos dos temas estavam na minha mão. Eu estava cuidando disso, inclusive, com o apoio do próprio Governo”, explicou Cury.
Entretanto, sem citar nomes, Cury disse que não pretende assumir um cargo de indicação caso o presidente eleito não priorize reformas.
“Agora, se não for uma agenda de reformas, se o país entrarem uma espiral muito negativa, eu nao teria muito um papel a cumprir, mesmo complementar”.
De acordo com o ex-prefeito de São José dos Campos, sua decisão será avaliada “com calma” e com o aval de seus eleitores. Nas eleições de 2022, Cury recebeu 92.225 votos, mas não conseguiu se eleger devido ao quociente eleitoral. Em 2014, ele obteu 94,2 mil votos; em 2018, foram 185,6 mil.
“Eu gosto da vida pública. O meu perfil de deputado, como eu atuava com grandes questões em Brasília, grandes temas, é natural que surjam convites, como tem surgido já. Amigos me ligaram de Brasília, senadores eleitos já me ligaram. Ninguém falou de partido, tô falando de fazer algum trabalho”, disse Cury.
Fim do mandato
Ao final de seu mandato, que durará até o dia 31 de janeiro, Eduardo Cury afirmou que irá avaliar os telefonemas e convites que tem recebido de outros políticos.
“Minha decisão vai ser, a partir de fevereiro, olhar um pouco a família. Eu preciso ter uma atividade remunerada. Mas eu gosto da vida pública. Eu acho que tenho uma contribuição a dar, eu estava lidando com grandes temas”.
Mudança de partido
Ainda durante a entrevista, o tucano admitiu que recebeu convites para se filiar em diversos partidos, mas não citou quais. Segundo dele, um dos convites foi o PL, do presidente, cujo convite foi feito pelo irmão de Jair Bolsonaro.
“Se eu estivesse no partido do Bolsonaro, eu teria pelo menos 40 a 50 mil votos a mais do que eu tive, sem contar que no partido dele com 70 mil e entraria. Então eu estaria eleito. Só que eu tenho uma forma de agir que é a seguinte coisa: eu tenho que estar confortável onde eu estou. Eu prezo muito pela minha liberdade de votar de acordo com o que os meus eleitores confiam”.
Apesar de crítico ao PSDB, Cury se mostrou satisfeito no atual partido por, segundo ele, ter a liberdade de, no Congresso, votar da forma que preferir.
“O PSDB cometeu uma série de erros ao longo desses anos. O principal deles é não se posicionar sobre grandes temas de forma clara, com linguagem simples para a população. Os líderes têm que ter uma responsabilidade sobre seus posicionamentos. Mesmo que seja um posicionamento pessoal, isso mistura e as pessoas cobram como se fosse do próprio partido”.
Em seguida, Cury citou como exemplos do não posicionamento do PSDB questões como corrupção e reformas administrativas.
Segundo ele, esta falha custou caro ao partido e fez com que menos deputados fossem eleitos neste ano. Em 2023, os tucanos terão somente 18 deputados, contando com os eleitos pelo Cidadania, que fazem parte de uma federação com os tucanos. Há quatro anos, o PSDB sozinho elegeu 29 deputados.
“O PSDB se tornou um partido pequeno. Ele passou a clausula de barreira, ou seja, continua existindo como partido. Diferentemente de PTB e Novo, em que os deputados vão ser obrigados a migrar”, lamentou.
Entretanto, Cury manteve o tom de mistério e não garantiu se realmente trocará de partido.
“Sem mandato, tenho liberdade para troca de partido. Nem sei se eu vou, nem sei se vou trabalhar, pode ser que eu vá para a iniciativa privada, voltar às minhas origens. Se tem pelo menos uma coisa boa [na não eleição], é que eu tenho liberdade total para fazer o que eu quiser agora”, disse Eduardo Cury à SP RIO+.