
O ex-tucano e ex-prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSD), avaliou o cenário atual do PSDB como uma crise resultante de ações partidárias e de Rodrigo Garcia, atual governador de São Paulo e que não conseguiu se reeleger nas eleições do último domingo (2).
Em entrevista à SP RIO+ nesta quinta-feira (6), Ramuth traçou um breve histórico do que, em sua opinião, levaram o PSDB a perder forças e diminuírem sua bancada na Câmara. A entrevista está disponível na íntegra no YouTube e no Spotify.
Em 2023, os tucanos terão somente 18 deputados, contando com os eleitos pelo Cidadania, que fazem parte de uma federação com os tucanos. Há quatro anos, o PSDB sozinho elegeu 29 deputados.
No segundo turno marcado para o dia 30 de outubro, Felicio disputará o cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Tarcisio de Freitas (Republicanos), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que também busca a reeleição.
A crise no PSDB segundo Felicio Ramuth

Durante a entrevista, Felicio Ramuth pontuou cinco motivos que causaram a chamada “crise no PSDB”: falta de renovação dentro do partido, casos de corrupção de Aécio Neves, a filiação de Rodrigo Garcia, as prévias presidenciais e estaduais e a forma como Garcia escondeu a gestão Doria.
1 – Falta de renovação
Primeiramente, o ex-prefeito defendeu o ex-governador João Doria e disse que o principal erro do PSDB foi a “falta de renovação”.
“O que está acontecendo hoje com o PSDB não é culpa exclusiva do Doria. Eu já dizia quando saí do PSDB. Foi uma sequência de erros, a falta de renovação. Eram sempre os mesmos candidatos, Alckmin e Serra, não estimulando essas lideranças que o PSDB tem e que são de muito valor nas cidades, como o próprio deputado federal Eduardo Cury”, pontuou Felicio.
2 – Aécio Neves
Além disso, Felicio relembrou o caso do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que teve um áudio no qual ele e o empresário Joesley Batista, dono da JBS, acertam o pagamento de R$ 2 milhões para pagar advogados que defendiam o tucano.
“Depois veio a questão Aécio Neves. Botaram panos quentes naquela situação grave. Porque independentemente de ele ser condenado ou não ser condenado, tinha uma gravação ali. Ele praticando tudo aquilo que a gente abomina em todos os aspectos”, pontuou Felicio.
3 – Filiação de Rodrigo Garcia
Felicio Ramuth também comentou durante a entrevista à SP RIO+ sobre a mudança de partido de Rodrigo Garcia em 2018. Até então vice-governador, Garcia trocou o DEM pelo PSDB pensando em disputar a cabeça da chapa estadual do partido tucano em 2022.
“Quando o Rodrigo Garcia foi convidado para vir para o PSDB, fui avisar que eu sairia. O Rodrigo Garcia me chamou, fui ao Palácio, ele pediu para eu não sair naquele momento, que ele ainda não era candidato. E eu disse claramente para ele: ‘olha, eu acho isso um grande erro para o PSDB’.
Segundo Felicio, a escolha de Rodrigo como cabeça de chapa a governador foi um erro, pois o partido possuía e ainda possui outros nomes de maior relevância na Câmara Federal e em diversas cidades que poderiam ser uma alternativa.
4 – Prévias
Em seguida, Felicio Ramuth pontuou outro erro que, segundo ele, causou uma crise no PSDB: as prévias do partido.
“Um horror. Primeiro pelas graves denúncias que a gente sabe que estão muito próximas da realidade, de compra de votos dentro de um partido. Uma vergonha do ponto de vista técnico. Eu me sentia envergonhado em ver aquela bagunça em relação à apuração, não funcionar, interromper prévia… Aí eu saí do PSDB”, disse o ex-prefeito, referenciando sua filiação ao PSD em janeiro deste ano.
Em novembro de 2021, João Doria venceu as prévias do partido para disputar a Presidência em 2022. Entretanto, foi um período de tensão, principalmente entre ele e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também almejava o cargo.
Em agosto deeste ano, a senadora Mara Gabrilli foi anunciada como a representante do partido na disputa presidencial, mas como vice-presidente na chapa encabeçada por Simone Tebet, do MDB.
5 – Negação do governo Doria
Por fim, Felicio Ramuth apontou que outro causador da crise no PSDB foi o fato de Rodrigo Garcia, já como governador, não ter se posicionado como o sucessor do ex-governador João Doria, que havia renunciado ao cargo para disputar a Presidência.
“Ele optou por negar o governo Doria. E quando ele fazia qualquer referência de atuação de governo, ele jogava lá para trás, para Mario Covas, de quando ele foi secretário disso e aquilo. Era muito mais fácil absorver o Doria”, disse Felicio.
Segundo o ex-prefeito de São José dos Campos, o esforço de Doria para trazer para o Brasil uma vacina contra a covid-19 poderia ter sido melhor utilizado como uma estratégia de Rodrigo.
“O Rodrigo não aproveitou um milímetro da vacina, porque se falasse da vacina estava falando do Doria. E as pessoas reconhecem o esforço do Doria. O Doria fez um bom exercício, que inclusive acelerou a estratégia federal, para depois o Governo Federal comprar. Negar a gestão dele mesmo é um mau exemplo de lealdade”, pontuou Felicio à SP RIO+.