
Ainda sem a definição de um vice, o Novo oficializou nesta segunda-feira (27) o nome do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como candidato à Presidência da República. Em um evento discreto, em comparação às convenções do PL e do PSD, a convenção nacional do partido foi realizada em Brasília (DF), com a presença do presidente do Novo, Eduardo Ribeiro.
“Precisamos de um presidente que não tenha rabo preso”, disse Zema, em entrevista coletiva após a convenção.
Em sua primeira manifestação oficial como candidato, Zema centrou suas principais críticas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no STF. “Minha bandeira é estar contra o PT”, afirmou no final da entrevista.
“No Brasil, o setor público carece de bons exemplos. Nós temos aqui o contrário, com essas aberrações que têm acontecido no Supremo Tribunal Federal. E ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e de PT”, afirmou, lembrando ter derrotado o PT duas vezes em eleições para o governo de Minas Gerais. “Se fosse eles, nem disputava em Minas este ano”, acrescentou.
Zema mencionou ainda ser alvo de processo movido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. O candidato tem elevado o tom das críticas ao STF desde que passou a associar ministros da Corte ao caso do Banco Master.
A oficialização da candidatura consolida a decisão do Novo de manter um projeto nacional próprio, apesar das especulações de que Zema poderia ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). Recentemente, ele subiu o tom contra Flávio, filho de Jair Bolsonaro e candidato do PL ao Palácio do Planalto, pelas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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Nesta segunda, Zema teve uma boa notícia com a nova pesquisa da BTG/Nexus: em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele está tecnicamente empatado com o petista, com 42% contra 46% de Lula.
Mas a caminhada até lá é difícil: no primeiro turno, Zema aparece bem atrás, com 3%, contra 42% de Lula. Também está atrás de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos (Missão), que têm, respectivamente, 33%, 6% e 5%.
Propostas
Na convenção, ele apresentou algumas ideias para um eventual governo do Novo: acabar com o que chama de “farra dos intocáveis”, em referência às críticas que faz ao STF e a autoridades que, segundo ele, não seriam responsabilizadas por seus atos; manter uma gestão sem favorecimento a parentes, aliados ou grupos políticos; reduzir privilégios e mordomias no setor público, citando como exemplo medidas que adotou durante sua gestão em Minas Gerais; e criar um ambiente mais favorável a quem empreende e investe.
Mas foi na área de segurança pública que Zema deu maior ênfase. Ele defendeu o endurecimento do combate ao crime organizado e disse que pretende enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, argumentando que o Brasil já deveria ter adotado essa medida. Zema também afirmou que pretende construir um “superpresídio” em uma área remota do país, “de preferência no meio da Amazônia”, para concentrar lideranças de facções criminosas.
Perfil
Zema foi governador de Minas Gerais de 2019 a março de 2026, quando renunciou ao cargo para disputar a Presidência da República. Nascido em Araxá, tem 61 anos e é formado em Administração de Empresas pela FGV (Fundação Getulio Vargas). O candidato apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022.