
Pintura de Pierre-Auguste Cot, intitulada Springtime
O dia dos namorados está chegando, e para alguns solteiros, principalmente aqueles que desejam encontrar um parceiro, surgem alguns questionamentos.
Não é incomum ouvir as pessoas se questionarem se existe algo de errado com elas para que estejam sozinhas, nem o que há de errado com as pessoas hoje em dia para que nenhuma relação de certo. O ponto é: o que aprendemos sobre o amor nos ajuda ou nos atrapalha nessa busca? E uma vez com uma pessoa em vista, essa pessoa é emocionalmente disponível? Não estamos repetindo padrões que nos fazem acabar por repetir relações que não vão adiante?
A nossa busca romântica é uma mistura do que fomos entendendo ao longo do nosso amadurecimento, através das nossas experiências e do que nos foi passado socialmente, isso significa que as experiências das pessoas próximas, junto do que o social definiu como amor romântico, nos norteia nesse conceito. Mais uma vez, temos um espaço para debater como a nossa cultura define o amor ideial, além do que consumimos como filmes e livros.
Então vamos lá, a maioria de nós cresceu com uma ideia de amor romântico, desses dos livros e filmes que nos faz ter a ideia de um par ideal, do príncipe ou da princesa que vai surgir e nos tirar da solidão, essa pessoa vai ser perfeita e vai se encaixar perfeitamente em nossas vidas, ela não terá defeitos, ela é idealizada por nos de uma forma que faz tudo parecer incrível, tão incrível que não existe de verdade.
Por isso, tenho más noticias, a pessoa perfeita não existe! E eu sinto muito por isso. Mas pense pelo lado positivo, saber disso nos liberta e nos faz entender o amor e a busca por alguém de uma forma real e possível.
Encontrar alguém não é uma tarefa fácil e não está dentro do nosso controle, podemos estar dispostos, abertos a este encontro, mas antes que ele aconteça teremos algumas decepções.
Por isso, devemos, antes de tudo, ter claro o que queremos, o que estamos dispostos a aceitar em uma relação e como gostaríamos de sermos tratados. Para isso, haja terapia, hein? O investimento é primeiro na gente, para depois a gente pos olhar para a outra pessoa com uma compreensão mais apurada se o que ela oferece é o que eu quero ou não.
Para que isso seja viável que tal começar com uma mudança na nossa postura? E pensar que em um relacionamento, precisamos ter coragem para sermos sinceros em relação as nossas vontades, necessidades e expectativas, mesmo que seja uma relação que acaba de começar. Não é porque você conheceu a pessoa há pouco tempo, e talvez ainda não seja algo sério, que você não precise ou não possa ser honesto em relação ao que busca/deseja e ao que sente. Nem sempre o outro fará isso com a gente, mas acredito que esse seja um comportamento desejável de pessoas que apresentam responsabilidade afetiva, ter consideração pelo sentimento alheio, não significa necessariamente atender as expectativas do outro, mas, sim, ser honesto com nós mesmos e com o outro. E isso deveria ser o mínimo, não acha? Gostaríamos de um tratamento respeitoso nas relações e devemos levar isso a diante através das nossas atitudes, também, assim tendo responsabilidade afetiva nas nossos relacionamentos.
A responsabilidade afetiva é importante, pois ainda existe muita gente que entende o inicio das relações como um jogo de quem demonstra menos interesse, de quem manda mensagem primeiro, entre outros comportamentos que a pessoa julgue que passam ser usados para prender o interesse do outro.
Esperar que o outro esteja atento aos sinais que mandamos, as entrelinhas do que gostaríamos de dizer, não vai de encontro com a construção do afeto e nem de uma relação saudável, é cansativo ter que ficar tentando compreender o que o outro quer dizer e os sinais, muitas vezes, criptografados, do interesse alheio.
É difícil aprender a se relacionar, mas já pensou como seria mais fácil se nos comunicássemos melhor e soubéssemos demonstrar com mais clareza nossos sentimentos, sem essa confusão de alimentar sinais confusos que podem ser interpretados de maneira errada pelo outro.
Quem joga pode sentir uma certa satisfação, uma vez que alimenta o ego. Quem está do outro lado pode se sentir perdido em um labirinto emocional, se diminuindo para caber no sentir do outro, transformando isso em uma certa paranoia, uma vez que podemos acabar entendendo que tudo pode ser um sinal, e isso não é saudável.
Por isso, o auto conhecimento é importante, para que possamos nos comunicar com o outro de uma forma mais clara e direta e para não cairmos nesse limbo de jogos emocionais do outro, para que não tenhamos a sensação de que precisamos ficar observando tudo o que o outro faz para saber se essa pessoa se interessa ou não.
Vamos investir em nos conhecermos melhor, na busca pelo que queremos e pensamos sobre relacionamentos saudáveis e para que, começando com nós mesmos, tenhamos pessoas mais disponíveis emocionalmente e mais claras com seus sentimentos.