Foto: Agência Brasil
Após manobra que o beneficiou, o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Anderson Ribeiro Correia, foi nomeado nesta terça-feira o novo reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos.
Ele concorria à vaga com outros dois candidatos, que formaram a lista tríplice enviada pelo comitê de busca do ITA ao Comando da Aeronáutica. A nomeação foi publicada nesta terça-feira.
Correia disputava com dois profissionais ligados ao governo paulista: Euclides de Mesquita Neto, coordenador adjunto da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e Herman Jacobus Cornelis Voorwald, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e ex-secretário estadual de Educação.
No total, 13 candidatos se inscreveram para a seleção de reitor do ITA, com seis aprovados para a segunda fase, que contou com apresentação e entrevista individual na sede do ITA.
Correia foi reitor do ITA entre 2016 e janeiro de 2019, quando deixou o cargo para assumir a Capes, órgão do MEC (Ministério da Educação).
A passagem o impedia de retornar como reitor do ITA antes de um período de vacância de três anos, de acordo com regra do Comando da Aeronáutica em vigor quando do início da seleção para reitor do ITA, na metade deste ano.
No entanto, conforme revelou a SP RIO+ junto com o jornal OVALE no final de outubro, uma mudança nas regras da seleção com o processo em andamento beneficiou diretamente o presidente da Capes, apontado nos bastidores como o candidato preferido do governo federal para o cargo.
A portaria de 2015 da Aeronáutica que determinava um período de vacância de três anos a ex-reitor do ITA que quisesse concorrer ao mesmo cargo foi modificada em 22 de outubro, com a seleção em andamento desde julho.
A exigência do período de vacância foi extinta com a edição de uma nova portaria do Comando da Aeronáutica.
O cargo de reitor do ITA será exercido pelo período de quatro anos, contados a partir do ato de nomeação. Correia deve assumir a escola no final de janeiro de 2020.
Em entrevista que Correia concedeu ao jornal O Globo, em outubro, ele disse que disputava a seleção do ITA por ser “um servidor federal” e por trabalhar “onde o governo federal estipular”. Ao ser questionado se a candidatura era um “pedido superior”, ele disse ser um “servidor do Comando da Aeronáutica” e que é um “soldado e trabalha onde o general mandar”.
