Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (8) para um apoiador esquecer o PSL, seu partido. O momento ocorreu na frente do Palácio do Alvorada quando um jovem se aproxima do presidente para gravar um vídeo, se apresentando como pré-candidato pelo PSL: “Eu, Bolsonaro e Bivar junto por um novo Recife”. Luciano Bivar é deputado federal por Pernambuco e presidente do partido.
“Esquece o PSL”, cochichou o presidente logo depois no ouvido do apoiador. “Não divulga isso não, ele tá queimado pra caramba”, diz em seguida.
O PSL agora é investigado por ter usado candidatas-laranjas nas eleições — mulheres que teriam sido colocadas como candidatas para cumprir a cota eleitoral obrigatória e usadas para recolher recursos do fundo eleitoral.
Na semana passada, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi indiciado pela Polícia Eleitoral e denunciado pelo Ministério Público como autor do esquema em Minas Gerais, mas foi mantido no cargo pelo presidente. Luciano Bivar é investigado em Pernambuco em esquema semelhante.
A declaração do presidente gerou um efeito cascata e causou mal-estar dentro do partido. O senador Major Olímpio (SP), líder do PSL no Senado, mostrou grande surpresa com as afirmações do presidente.
“Só posso dizer que fiquei perplexo. Eu não sei a motivação oficial do presidente. Só o presidente pode esclarecer a manifestação dele”, afirmou.
Olímpio disse que falou com Bivar, com o vice-presidente do partido, Julian Lemos (PB), e com o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, para “saber qual seria o sentido ou a intenção em relação a isso”.
Antes da divulgação do vídeo, Olímpio havia falado ao portal UOL sobre uma possível saída do presidente do PSL. “Eu não vejo o presidente saindo do partido. Seria a mesma coisa que morar sozinho e fugir de casa”, afirmou o senador.
O senador disse não acreditar que Bolsonaro possa deixar o PSL por duvidar que o presidente tenha outro partido “que tenha a robustez que criou exatamente por causa dele”. “Ou vai começar do zero em outro partido e aí não vai conseguir ter o tamanho da robustez que ele construiu. Ou vai para uma legenda já maior e não vai conseguir ter a garantia de ser o personagem principal e, tão disparadamente, diferenciado de todos os demais como ele é no PSL”, comentou.
Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) reagiu às declarações do senador sobre seu pai. “Fico estarrecido da maneira como este senhor trata o presidente hoje! Ninguém é imune a críticas, mas meu Deus! É surreal”, escreveu o vereador em seu perfil do Twitter.
