
Marque bem esse horário: 21h08.
Exatamente nesse horário, em uma eleição acirrada e marcada por uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve anunciada pelo TSE sua reeleição a presidente da República, conquistando seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. O anúncio foi feito pelo TSE quando 97% das urnas já tinham sido apuradas e Lula tinha 51,74% contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL). Foi o capítulo principal de um domingo longo e tenso, quando milhões e milhões de brasileiros foram às urnas para decidir o destino do país.
Lula fez história. De novo…
Primeiro operário a chegar à Presidência da República, Lula é o primeiro líder político a governar o país pela quarta vez e o primeiro candidato a reverter um primeiro turno. Em uma campanha que mesclou ruas lotadas de gente e redes agitadas, Lula virou o jogo em uma eleição complicada, marcada hoje por um locaute do transporte público em diversas cidades, entre elas São Paulo e Salvador (de forte voto lulista) e caos em linhas aéreas. Se o objetivo era tumultuar, deu quase certo. A eleição durou duas horas a mais, mas a abstenção e votos inválidos sofreram queda recorde.
Quem ganhou a eleição? O povo, que fez sua opção.
A pergunta que fica é: que país teremos a partir desta segunda-feira? Essa é a pergunta que precisa ser respondida com urgência após uma eleição que mobilizou todo o país e foi decidida aos 49 do segundo tempo. A vitória expõe a vontade soberana de 64 milhões de brasileiros, que optaram por Lula contra o herdeiro do bolsonarismo. Dois modelos de política, duas visões de sociedade, foram confrontados ao longo das últimas semanas e o brasileiro, por meio do voto, fez a sua escolha. Como diz a regra, resultado de eleição não se contesta. A gente aceita, analisa e procura entender.
E, por esse foco, a pergunta feita no início deste texto ganha mais força: que Brasil teremos a partir de amanhã?
Do lado de lá, a reação inicial foi ruim. Os deputados Nikolas Ferreira e Lucas Pavanatto (ambos do PL) já diziam bravatas antes da vitória ser anunciada pelo TSE, esbravejando contra o STF. Vamos torcer para que as lideranças reais da direita, como o próprio Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), tenham mais maturidade política e foquem na união do país. Na cura e não na doença.
Com o vice Geraldo Alckmin (PSB) a seu lado, Lula também tem aí seu desafio: trabalhar para unir o país, ainda dividido, como mostra a votação de hoje. Mais: Lula tem a obrigação de fazer do Lula 4 um governo melhor do que o Lula 3. Reconectar governo e povo já é um primeiro passo. Mas tem mais: responsabilidade fiscal, investimento em infraestrutura, pacificação do Congresso Nacional, ampliação e modernização das políticas sociais. Ufa, é muita coisa. Mas, para isso, o eleitor elegeu Lula.
Venceu a democracia. Segue o baile…
O candidato derrotado, Flavio Bolsonaro, não reconheceu a derrota e vai questionar o resultado. O presidente do TSE, no entanto, acaba de reconhecer o resultado da eleição e parabenizou o Lula. Ninguém menos que Kassio Nunes Marques, ministro do STF indicado pelo pai do candidato, e afirmou que a prorrogação da votação não teve nenhum impacto no processo de votação e apuração. Outra coisa que ele não levou em conta foi que o pedido de prorrogação foi feito pelos dois partidos por motivos diferentes, PL e PT pediram prorrogação, o PL por questões climáticas e o PT por sabotagem do transporte em várias cidades.