
A três dias da votação de segundo turno, a esquina onde surgiu um dos movimentos mais importantes da MPB amanheceu coberta de tinta vermelha, bem no coração de Belo Horizonte.
Mais uma marca da intolerância que criva, de Norte a Sul, país
O ataque ao “Clube da Esquina”, criado por Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, não foi o primeiro ato de violência, nem, infelizmente, deve ser a último deste momento estranho por que atravessamos todos nós. Pessoas, famílias, o país. Vamos às urnas no domingo divididos. Mas, não apenas isso. Muitos vão às ruas e às urnas raivosos, enxergando adversários, inimigos, rivais, onde estão apenas pessoas diferentes. Gente igual, mas que pensa diferente.
Minha geração foi marcada pelo som do “Clube da Esquina”.
Ele não falava (e, atual, não fala) de intolerância, nem de ódio, nem de rancor. Falava de política. Afinal, o país vivia em uma ditadura e a arte sempre foi libertária. Na “república” que morei em Curitiba, no final dos anos 70, Milton não saia da vitrola. Quem morava lá? Amigos antigos, amigas queridas, hoje distantes. De lá pra cá, a vida virou, como a vida muda, como numa viagem de ventania. Milton está hoje na playlist. E os sonhos? Ah, esses não envelhecem. Eles mudam, evoluem, se transformam, viram outros sonhos, muitas realizações. Viram mulher, filhos, trabalho, livros, viagens. Viraram, nesses anos todos, um país mais livre.
Um país que decide sua sorte no domingo. Manchado por gente que não entendeu nada. E lá se vai mais um dia…
Mas eu?
Ah, quero a utopia, quero tudo e mais; quero a felicidade nos olhos de um pai; quero a alegria muita gente feliz; quero que a justiça reine em meu país. Quero a liberdade, quero o vinho e o pão; quero ser amizade, quero amor, prazer; quero nossa cidade sempre ensolarada; os meninos e o povo no poder, eu quero ver.
Segue o baile…
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O que temos visto nas redes sociais de manifestações de ódio e violência gratuita é uma enormidade. Gente agressiva que sem nenhuma razão a não ser odiar o outro lado toma a iniciativa de agredir, humilhar e ofender. Os lobos estão famintos e vão atacar assim que as urnas confirmarem a vitória do seu favorito.