
As urnas de 4 de outubro acenderam um “sinal amarelo” para os prefeitos das duas maiores cidades da região, São José dos Campos e Taubaté.
Anderson Farias (PSD) e Sérgio Victor (Novo) têm algumas coisas em comum.
Os candidatos a deputado apoiados por eles não conseguiram se eleger. Anderson apoiou a ex-vereadora Renata Paiva (MDB) a deputada federal e o vereador Cláudio Apolinário (PSD) a deputado estadual. Renata obteve 28.608 votos (23.748 na cidade) e Apolinário, 29.490 votos (19.374 em São José dos Campos). Sérgio apoiou Capitão Souza (Novo) a federal e Professora Elisa a estadual. Ex-secretário de Segurança Pública de Sérgio, Souza alcançou 10.073 votos (7.992 em Taubaté). Elisa ficou com 2.825 votos (1.667 na cidade).
Mas não é só, as urnas deram “fôlego” a candidatos não-alinhados aos dois prefeitos.
Em São José dos Campos, enquanto candidatos da base aliada “floparam”, o PL elegeu três deputados — Eduardo Cury a federal; Letícia Aguiar e Thomaz Henrique a estadual. Cury, eleito com 66.860 votos (34.814 em São José dos Campos), foi o principal adversário de Anderson nas eleições municipais de 2024; Thomaz, que bateu os 178.164 votos (49 mil votos só em São José dos Campos), a maior votação entre os três, faz da crítica ao governo Anderson uma de suas pautas mais comuns. Sobra Letícia, reeleita com 94.82 votos (34.802 na cidade), mais alinhada com Anderson.
Em Taubaté, Sérgio Victor viu nomes como a vereadora Thalita Cadeirante (PSB), de oposição, somar 31.694 votos para deputada estadual (15.614 em Taubaté) e a vereadora Vivi da Rádio (Republicanos) atingir 18.760 (15.164 em Taubaté). Ambas não foram eleitas, mas reuniram um “caminhão” de votos cada uma. Adversário de Sérgio no segundo turno das eleições de 2024, Ortiz Junior (Republicanos) somou 45.009 votos a deputado estadual (22.880 em Taubaté), mas também não foi eleito. Será que ele vem em 2028? Com certeza.
E agora?
O que esses números querem dizer?
Nada e muita coisa, dependendo de quem olha e por qual ponto de vista. É o lance do copo pela metade: ele pode estar meio cheio ou meio vazio.
As urnas mostraram que não é fácil transferir votos. No caso de Anderson, isso fica patente. Mesmo com um governo muito bem avaliado, o prefeito não conseguiu eleger seus candidatos a deputado. Conseguirá transferir votos para o candidato governista na sua sucessão? Tem boas chances, mas isso vai exigir muita estratégia e muito trabalho.
No caso de Sérgio, o problema é mais grave. Mesmo sem pesquisas confiáveis de avaliação de governo, o prefeito de Taubaté sofreu um desgaste nos últimos meses com a greve dos servidores públicos municipais (a primeira da história da cidade) e com a crise administrativa e financeira que assola o município há tempos. Reeleição garantida? Longe disso, a eleição de 2028 promete ser dura na cidade …
Mas política não é uma ciência exata.
É complicado enxergar as eleições municipais de 2028 pelo prisma das urnas de 4 de outubro. Regras diferentes regem eleições diferentes — as gerais e as eleições municipais. Até a cabeça do eleitor funciona em outra voltagem.
Mesmo assim, o “sinal amarelo” acendeu. Para quem sabe ler, pingo é letra.
Segue o baile…
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