
Cadê o PSD que estava aqui? O Kassab comeu…
Essa brincadeira com o famoso versinho infantil exemplifica bem a situação na qual se encontra o diretório municipal do PSD de São José dos Campos, partido ao qual estão filiadas boa parte das lideranças políticas da cidade, entre elas, o prefeito Anderson Farias. Desde meados do primeiro semestre, o diretório do PSD de São José dos Campos oficialmente não existe mais.
Exagero? Claro que não.
Esse é um segredo de polichinelo conhecido por muita gente, mas pouco tratado publicamente, e que se revela numa simples consulta on-line à Justiça Eleitoral – onde consta que o órgão provisório do PSD local (leia-se, nominata, primeiro passo para a constituição de um diretório; mas, nesse artigo, vou tratar tudo de diretório municipal, para facilitar a compreensão), está com seu prazo de validade expirado.
Ou seja, inativo.
A “extinção” do diretório (da nominata do partido) foi uma “trucada” do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, rancoroso após perder a queda-de-braço com Felicio Ramuth (ex-PSD, hoje no MDB) pela vaga de vice na chapa de Tarcísio de Freitas à reeleição.
Com Felicio mantido na chapa por Tarcísio e com o vice-governador trocando o PSD pelo MDB, sobrou a Kassab dar o troco no PSD de São José dos Campos, controlado por aliados de Felicio.
Primeiro, ofereceu o controle do partido na cidade a diversas lideranças, sem muito sucesso, e acabou, por fim, por esvaziar o diretório local, amplamente dominado por aliados do grupo de Felicio – como, por exemplo, o prefeito Anderson Farias, que aparece no documento da Justiça Eleitoral como presidente do PSD local; Sérgio Francisco Theodoro, o Théo, vice-presidente; Jhonis Santos, secretário municipal de Governança; George Zenha, secretário municipal de Saúde; e Dolores Moreno Piño, a Lola, entre outros.
Resumo da ópera: todos continuam filiados ao PSD, mas o diretório local “babau”, não existe mais.
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E agora?
Passadas as eleições de primeiro turno, com Tarcísio e Felicio reeleitos, feitas as contas e tirados os “noves fora”, a pergunta que fica é essa: e agora?
Escaldado pelos resultados adversos do primeiro turno, Kassab prefere tratar desse assunto após o segundo turno. A “Sala da Justiça” do grupo que gravita em torno de Felicio e Anderson prefere outro caminho: tratar disso o quanto antes. Descascar, enfim, esse abacaxi indigesto. Ainda sem data definida, é provável que a “Sala de Justiça” debata o assunto em breve, frente a três cenários possíveis: ficar todo mundo no PSD (exceto Felicio, que já saiu), organizar uma debandada do PSD (como ocorreu, tempos atrás, na migração para o PSD, que “desossou” o PSDB de São José dos Campos), ou dividir os aliados entre mais de um partido.
Que partidos poderiam abrigar o grupo?
Ora, o MDB do próprio Felicio, para onde já foi Renata Paiva, antes das eleições. Ou, quem sabe, o Republicanos, de Tarcísio. Mas há outras siglas abertas à negociação. No PSD podem permanecer, a meu ver, os vereadores José Luís Nunes, Marcão da Academia e Cláudio Apolinário, entre outros, por identificação com o PSD ou por força da regra. Afinal, em razão da fidelidade partidária, os vereadores da bancada do PSD não podem deixar o partido antes da próxima “janela” partidária, que só abre em 2027.
Mas essa é uma história ainda a ser construída.
“O caminho natural é deixarmos o PSD”, me confidenciou um nome expressivo dentro da hierarquia do grupo aliado a Felicio na noite de sexta-feira. A decisão será tomada em breve.
Segue o baile…
PS1: “Cadê o toucinho que estava aqui? O gato comeu” é o primeiro verso de uma parlenda infantil muito conhecida, que, na minha versão virou “Cadê o PSD que estava aqui? O Kassab comeu”.
Parlenda é um gênero textual infantil, composto por versos rimados e ritmados, transmitido oralmente e usado para entreter e educar a criançada. Enfim, as rimas infantis que fazem parte do folclore e da cultura brasileira.
PS2: O PSD de São Paulo não registrou oficialmente a mudança na hierarquia da nominata do PSD de São José dos Campos ocorrida após as eleições municipais de 2024.
Por isso, no documento registrado na Justiça Eleitoral, Anderson ainda aparece como presidente do PSD local, embora, na prática, ele tenha deixado o cargo em 2025, assumindo em seu lugar Sérgio Theodoro de Freitas.
Mais uma “pedrinha” deixada no caminho por Gilberto Kassab. Na política, como n Jogo do Bicho, vale o que está escrito.