
Já discutimos as sandálias Havaianas, a cor da camisa da seleção, os milhões em propina pagos à direita e à esquerda por Daniel Vorcaro e, agora, entramos em uma “guerra santa” em torno de Nossa Senhora Aparecida. Esse é o retrato do Brasil atual.
Um país em transe, alucinado, que vai do zero ao infinito quando o assunto é polêmica, e que em alguns dias vai encarar a eleição mais importante da história recente do país envolto em um “bumba-meu-boi” que mistura religião e política sem o maior pudor de lado a lado. Não há inocentes nessa história.
O resultado?
A dias da eleição, nenhum dos candidatos favoritos à Presidência da República, seja Luiz Ináco Lula da Silva (PT), seja Flávio Bolsonaro (PL), disse a que veio. Propostas: zero. É como se o Brasil fosse um país sem problemas, com a economia de vento em popa; a segurança. sob controle; a educação de qualidade e acessível, de forma gratuita, a todos; e a saúde pública às mil maravilhas; com o Orçamento da União distribuído de forma transparente, fora do alcance dos “abutres” que vivem às custas do dinheiro público. Corrupção? Se todos são corruptos, o que fazer? Vamos ser honestos: o Brasil real, que trabalha, paga boleto, sua dia após dia, sonha, pensa, realiza, esse, o Brasil real, passa longe da política.
Pouca gente discute, de fato, porque o governo Lula 3 não engrenou como poderia ou os “esqueletos” que Flávio Bolsonaro esconde no armário. Seja o que Deus quiser…
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O tema é Nossa Senhora Aparecida, a fé dos brasileiros, o risco da “Santinha” perder a posição de Padroeira do Brasil a partir de um plano alucionado de evangélicos radicais. O caso divide, mais uma vez, o STF e seus ministros. O caso vai ao plenário do TSE. É “fake news”? Não é “fake news”?
Como parece frágil a Democracia Brasileira frente a temas como a Padroeira, as sandálias Havaianas, a cor da camisa da Seleção Brasileira e os tentáculos de Daniel Vorcaro, mergulhados em todos os Poderes da República. E a Santa, que triste, entrou de vez na campanha, nos braços de Lula, nos “cards” do PT, onde ela aparece fazendo o “L”, no encontro entre Flávio e Tarcísio de Freitas (Republicanos), em vídeos para todos os gostos, em ataques a imagens em diversos pontos do país. Triste. Flávio chama Lula de macumbeiro, os petistas chamam Flávio de traidor da fé…
Será que nem a Padroeira consegue pacificar o Brasil?
Caminhamos para a eleição mais divididos do que nunca. Na Europa, em outro cotexto, o papa Leão 14, falando do crescimento da extrema-direta na Alemanha, disse que os valores do Evangelho não dizem respeito ao ódio e à divisão. Concordo com ele.
Nessa altura do campeonato, nesse país em transe, lembro da letra de “Romaria”, de Renato Teixeira, um clássico da MPB, onde o romeiro, sem nem saber rezar, só venera a imagem de Nossa Senhora Aparecida e pede paz nos desaventos, nas discórdias e desencontros que povoam o mundo. “Me disseram, porém, que eu viesse aqui / Pra pedir de romaria e prece, paz nos desaventos. / Como eu não sei rezar só queria mostrar / Meu olhar, meu olhar, meu olhar.”
Poesia pura, traduzindo fé de gente humilde. Gente que ajudou a construir, na labuta e na desesperança, a crença na imagem enegrecida de Nossa Senhora da Conceição, achada num rio, partida, 300 anos atrás, bem pertinho da gente. Será que nem a Padroeira consegue pacificar o Brasil?
Segue o baile…
A gente nunca sabe se é féde mais ou é féde menos.