
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) usou dados econômicos de São José dos Campos para criticar a distribuição de recursos públicos entre os estados brasileiros e atacar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, durante discurso na cidade nesta terça-feira (22). Segundo o candidato, o município tem um PIB maior do que o do Amapá, estado natal de Alcolumbre, mas recebe menos poder de decisão sobre o orçamento nacional do que a bancada amapaense.
Renan chegou a São José dos Campos por volta das 15h desta terça-feira (22), como parte da “Futuro Glorioso Tour”, caravana de campanha que percorre cidades do Sul e Sudeste do país. Renan chegou ao campus Castejón da Univap (Universidade do Vale do Paraíba).
Críticas à distribuição de recursos e a Davi Alcolumbre
Em discurso a apoiadores, Renan detalhou a comparação entre o PIB de São José dos Campos e o do Amapá para questionar o peso político do estado no Congresso:
“Não é possível que São José dos Campos, que exporta avião pro mundo inteiro, mande menos do que o Amapá. Só vocês têm um PIB maior do que o Amapá. Só vocês geram mais riqueza pro Brasil do que o Amapá. Dito isso, Alcolumbre tem três senadores, tem um monte de deputado federal, controla emendas, controla o orçamento do Brasil, ele tá salvando Alexandre de Moraes”, disse.
O candidato afirmou não ter absolutamente nada contra os moradores do Amapá, mas direcionou as críticas à “elite” do estado, que, segundo ele, “mantém aquelas pessoas miseráveis” enquanto administra recursos em Brasília.
Renan questionou ainda o modelo de distribuição orçamentária do país: “Qual o sentido de você ter nesse país gente do pior calibre, gente estúpida, gente corrupta, que administra os estados com a pior qualidade de vida, mandando mais do que o Brasil que trabalha produz?”
“São José, terra de gente muito trabalhadora”
Ainda no discurso, Renan elogiou o perfil econômico de São José dos Campos e defendeu a criação de uma zona econômica especial voltada à indústria militar e de alta tecnologia na região:
“São José dos Campos é terra de gente muito trabalhadora. É uma das cidades mais produtivas do Brasil, é uma das cidades em que as pessoas mais ralam e geram contribuições ao país. É a cidade do ITA e a cidade da Embraer”, afirmou.
O candidato foi além ao comparar o potencial da cidade ao de um polo tecnológico internacional: “Se o Brasil fosse um país sério, o Vale do Silício do Brasil seria na região de São José dos Campos.”
Proposta para o Vale do Paraíba: terras raras, drones e robótica
Em entrevista concedida ao Portal Spriomais durante a passagem por São José dos Campos, Renan Santos detalhou o que idealiza para a região caso seja eleito. Questionado sobre o quanto conhece da região e o que planeja para o futuro do Vale do Paraíba, o candidato defendeu a criação de uma zona econômica especial voltada a tecnologia da informação, inteligência artificial e robótica, aproveitando a mão de obra qualificada e a posição geográfica da região entre São Paulo e Rio de Janeiro:
“Uma zona econômica especial voltada para a área de tecnologia da informação, inteligência artificial e uma indústria ligada à robótica (…) porque você já tem o capital humano, você já tem pessoas treinadas, a Embraer é um pequeno exemplo disso. Tem uma posição logística que já desde a época da criação do ITA já havia se idealizado nessa região, por conta de estar no meio do caminho de São Paulo e Rio de Janeiro. Portanto, é a região mais especial do Brasil para a instalação de uma zona econômica especial voltada para a formação desse tipo de produto”, afirmou.
O candidato também associou o projeto à cadeia produtiva de terras raras, com extração e processamento realizados em outras regiões do país e a transformação final concentrada no Vale do Paraíba:
“A cadeia das terras raras começa nas regiões mais interioranas do Brasil, com a extração dos recursos, com o processamento desses minérios, com a feitura dos ímãs. Os ímãs feitos de disprósio, que podem vir de Goiás, do Pará ou de Minas Gerais, seriam transformados aqui em baterias para motor de drone. Então a indústria de drones, a indústria de robôs tem que ficar aqui nessa região, voltada para exportação e para criação também de um polo”, disse. Segundo ele, o resultado seria empregos qualificados capazes de gerar uma “qualidade de vida que vai fazer inveja de qualquer outra região do Brasil”.
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