
A candidata ao Senado Simone Tebet (MDB) afirmou que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) “envergonha” o país e defendeu que ministros da Corte possam responder a processos de impeachment caso sejam identificadas irregularidades. Para ela, o tribunal precisa ter mecanismos de autocontrole e não pode adotar “dois pesos e duas medidas” diante de suspeitas envolvendo integrantes dos três Poderes.
Em entrevista ao projeto Especial Eleições 2026, realizado pelo portal spriomais em parceria com a rádio Jovem Pan São José dos Campos, a candidata disse que cabe à classe política atuar diante de eventuais abusos de poder. “Ninguém está acima da lei. Abuso de poder é abuso de poder”, declarou.
Em seguida questionou: “Se é possível impichar um presidente da República, por que não impichar um ministro ou mais de um? Eu só acho que não pode ser seletivo.”
A fala ocorre em meio às investigações sobre as relações do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com autoridades e integrantes do STF.
O mecanismo jurídico citado por Tebet é o processo por crime de responsabilidade. Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF nesses casos. A Lei 1.079/1950 define quais condutas podem ser consideradas crimes de responsabilidade, como julgar uma causa em situação de suspeição, exercer atividade político-partidária e agir de forma incompatível com a honra, a dignidade e o decoro do cargo.
Caso Master
A manifestação de Tebet ocorre durante uma crise no STF desencadeada, principalmente, pelas investigações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Relatórios e documentos da investigação tornados públicos apontaram relações entre Vorcaro e diferentes autoridades, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, e ministros do Supremo.
O caso envolve, entre outros pontos, contratos, encontros e mensagens que passaram a ser analisados pelas autoridades. Um dos episódios citados por Tebet é o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.
Tebet citou o valor do contrato para defender que situações envolvendo diferentes grupos políticos sejam tratadas pelos mesmos critérios. “Não existe mais ou menos corrupção”, disse. “Não tem dois pesos e duas medidas.”
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‘Há suspeitas de contratos fraudulentos’
Na entrevista, a candidata também mencionou suspeitas envolvendo outros ministros do Supremo. Ela afirmou que há “suspeitas de contratos fraudulentos” que, em sua avaliação, precisam ser questionadas em relação a “quatro ou cinco ministros” da Corte.
As investigações alcançaram diferentes integrantes do STF, embora as situações sejam distintas. Reportagens baseadas nos documentos do caso apontaram relações ou menções envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. As circunstâncias e as respostas apresentadas pelos ministros variam em cada caso.
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Candidata defende transparência
Outro ponto central da fala de Tebet foi a defesa da abertura das informações relacionadas ao caso Master. “Houve vazamento irregular? Se houve pra um, tem que abrir tudo”, afirmou.
Ela citou ainda informações sobre a distribuição de cerca de 400 cartões de crédito ligados ao Banco Master, com limites que poderiam chegar a R$ 300 mil ou R$ 500 mil mensais, segundo informações divulgadas no âmbito das investigações. A Polícia Federal investiga a distribuição de centenas desses cartões e ainda analisa o material apreendido.
Tebet questionou quais autoridades teriam recebido os cartões e afirmou que a divulgação dessas informações é necessária antes das eleições. “Como é que a gente vai pras urnas dia 4 de outubro sem essa transparência?”, perguntou. Para Tebet, a eventual existência de benefícios recebidos por parlamentares poderia ter consequências eleitorais.
“Se nós tivermos dentro desses 400, 200 parlamentares envolvidos, senadores e deputados, que com isso vão se reeleger. Vão se reeleger, vão pro Congresso pra quê? Pra blindar esse banqueiro preso”, afirmou.