
A Academia Joseense de Letras prestou, durante sua Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite de 20 de agosto, uma homenagem ao jornalista, escritor, poeta e artista plástico José Guilherme Rodrigues Ferreira, cujo nome passa a integrar definitivamente a história da instituição como patrono da Cadeira nº 31.
José Guilherme faleceu em 14 de julho de 2026, aos 67 anos, em São José dos Campos.
A homenagem começou com uma Sessão Saudade, dedicada à memória de Zé Gui, como era conhecido entre amigos, colegas e leitores, durante a qual acadêmicos recordaram sua trajetória e declamaram poemas de LOCI, seu último livro de poesia, lançado em 2025, obra que reúne trabalhos inéditos e uma seleção de textos produzidos ao longo de várias décadas e revela também sua pesquisa permanente das fronteiras entre palavra e imagem.
Na sequência, por requerimento do acadêmico Fabrício Correia, presidente da Academia Joseense de Letras, foi submetida à Assembleia a proposta de tornar José Guilherme patrono da Cadeira 31, perpetuando seu nome entre as referências intelectuais e culturais da instituição.
“Transformar José Guilherme em patrono de uma cadeira significa dizer que sua presença não termina com sua partida, porque ele pertence à história cultural de São José dos Campos e deixou uma obra que atravessa o jornalismo, a literatura, a poesia e as artes visuais. Zé Gui era um homem da palavra em sua dimensão mais ampla, alguém que sabia que escrever também é preservar a memória, e a Cadeira 31 será, a partir de agora, uma casa permanente para essa memória”, afirmou Fabrício Correia.
Para a acadêmica Daniela Peneluppi, a escolha preserva sobretudo a dimensão literária de um autor cuja curiosidade intelectual nunca aceitou fronteiras rígidas: “José Guilherme possuía essa rara capacidade de observar o cotidiano e encontrar nele matéria para poesia, memória e reflexão. Ao declamarmos seus poemas, percebemos que sua voz continua entre nós, e torná-lo patrono da Cadeira 31 é reconhecer que uma obra verdadeira permanece dialogando com as gerações mesmo quando seu autor já não está fisicamente presente.”

Trajetória
Natural de Botucatu e radicado em São José dos Campos desde o final da década de 1970, José Guilherme formou-se pela Escola de Comunicações e Artes da USP e construiu uma carreira de mais de quatro décadas, passando por redações como O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado, Rede Globo, Jornal da USP e Diário do Comércio. Nos últimos anos, exercia a direção de Jornalismo do Portal spriomais onde também assinava a coluna Da Janela do Helbor.
Sua produção ultrapassou as redações. Escreveu sobre cidades, memória, aviação, gastronomia, viagens e vinhos, além de desenvolver trabalhos como pintor e poeta visual. Entre seus livros estão São José dos Campos, várias rotas, um destino, Asas pra que te quero – Instituto Tecnológico de Aeronáutica 1950-2020, O almofariz de Deméter e Vinhos no mar azul, premiado internacionalmente na França.
A decisão da Assembleia transforma a saudade em permanência: José Guilherme Rodrigues Ferreira deixa de ocupar apenas a memória afetiva daqueles que conviveram com ele para ocupar, também, um lugar institucional entre os nomes que representam o patrimônio literário e cultural de São José dos Campos.
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