
Não só nós, mas o mundo perdeu uma das pessoas mais brilhantes dessa terra. José Guilherme Rodrigues Ferreira, nosso Zé Gui, partiu e deixou um buraco no coração de cada um que o conhecia bem.
Mais do que chancelas, troféus, prêmios (que ele não ligava), Zé tinha um coração puro e muito, mas muito valioso. A sua maneira de transmitir conhecimento com clareza e calma moldou o jornalismo do portal spriomais.
As suas histórias sobre viagens em tantos países, as curiosidades sobre culturas diversas e seu olhar para detalhes deram vida aos nossos almoços, jantares e à rotina de redação.
“No meu caso, Zé me fez gostar de gastronomia, me fez abrir os olhos para coisas que nem pensava em conhecer, desde a história dos vinhos até as artes, incluindo uma que ele mesmo fez para mim, e virou um eterno pedaço de tudo que ele representa na minha vida. Com minha família longe, Zé foi alguém que me deu amor e carinho de uma maneira tão nobre que nunca imaginei ser possível.” – Rodrigo Almeida.
“Tudo o que alguém poderia acrescentar de bom ao próprio repertório, profissional e, principalmente, humano, encontraria no Zé Gui. Viver quatro anos aprendendo as virtudes do jornalismo com ele foi o que me fez repórter, mas a minha sorte mesmo foi ter tido no dia a dia um ídolo que se tornou parte da família. As pessoas nunca apenas gostam do Zé; elas amam, admiram, se conectam, se encantam, repetem o que ele diz e instantaneamente passam a plantar suas sementes. Ter recebido tanto do Zé mudou minha vida e guardo com carinho as coisas bonitas e prazeres, como a cozinha e a arte, que ele amava compartilhar com a gente. Zé Gui segue “alive and well” em nossos corações, agora cuidando desse jardim tão florido que deixou por aqui.” – Gabriel Duarte
Zé é, foi e será sempre o nosso professor, com quem pessoalmente aprendi infinitamente mais do que com qualquer outro na universidade. Com ele aprendi desde a redigir e editar melhor uma reportagem, até tentar ser uma pessoa melhor, um pouco mais como ele.
Em nosso pouco mais de um ano de convivência, que passou voando, ele sempre me passava uma ideia de que sabia um pouco de tudo, mas nunca se gabava por isso. Você descobria que ele era quase um especialista em um assunto, de repente, e falava sempre com uma tremenda humildade.
Zé Gui abraçava o que poucas pessoas com quem trabalhei tinham coragem, ele não apenas aceitava os interesses mega específicos que eu tinha, quanto me incentivava a fazer reportagens sobre, incentivava a praticarmos nosso trabalho da melhor forma, falando e fazendo sobre o que amamos.
De tantas coisas que aprendi com ele, sem dúvidas, a principal foi saber largar o osso do hard news, da pressa da reportagem pela velocidade, e me entregar a escrever uma matéria que eu não esqueceria, que seria parte significativa da minha jornada pelo jornalismo.
Além de sua falta, ele deixará seu legado, que viverá para sempre dentro de nós, que tivemos a glória de aprender um pouco com ele, e levar partes dele em nossa vida. ” – Gabriel Blois Moreira
“O Zé Guilherme, meu companheiro de redação, ajudou muito na construção do projeto sprio, no padrão de jornalismo do portal, na implantação de novos projetos, como o Mais Gastronomia e o Jornal Impresso Acontece Mais. Zé Guilherme trazia toda a experiência das grandes redações por onde passou, do seu diferencial do ponto de vista intelectual e cultural. O Zé foi responsável pela formação de dezenas de jornalistas que estão hoje nas grandes redações do Vale do Paraíba. Ele era uma inspiração e uma referência para todos os colegas aqui do portal e dos jornalistas da região. Todos nós estamos muito tristes com o falecimento do nosso companheiro. Ele vai fazer muita falta, mas eu acho que o seu maior legado é o comprometimento com o jornalismo, a seriedade com cada palavra empregada em suas matérias, o respeito aos profissionais que trabalharam com ele, com a comunidade, com as personalidades que passaram pela redação e participaram dos nossos podcasts. Com o Zé Gui, como a gente o chamava carinhosamente, aprendi muito. Tenho certeza de que sou um profissional melhor na atividade do jornalismo depois de ter tido a oportunidade de trabalhar com ele.” – Mauricio Guisard
Zé Gui
Escritor, jornalista, pintor, poeta e editor, José Guilherme Rodrigues Ferreira se formou pela Escola de Comunicações e Artes da USP.
Foi editor-chefe do Diário do Comércio e participou de equipes nas redações da TV Globo, Agência Estado, Agência Folha, Jornal da Tarde e Globo Rural. Nos últimos anos, atuou como diretor de jornalismo e colunista do portal spriomais.
Joseense de coração desde o final dos anos 1970, Zé morava no bairro Jardim das Indústrias e adorava tirar fotos de sua biblioteca e de seus dotes culinários, além da janela de seu apartamento.
Em sua obra mais recente, Zé Gui lançou o livro de poemas LOCI, pequena seleção de poemas de várias décadas de produção.
Também foi autor de livros de não-ficção, entre eles:
- “São José dos Campos, várias rotas, um destino” (Destination SJC, 2024)
- “Asas pra que te quero” – Instituto Tecnológico de Aeronáutica 1950-2020 (Aeita, 2022)
- “O almofariz de Deméter” – breve geografia de vinhos, afeições, alimentos e apetites (Tapioca, 2020)
- “Vinhos no mar azul” – viagens enogastronômicas (Terceiro Nome, 2009), premiado na França com o Best World Cookbook Awards.