
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou oficialmente neste domingo (16) a campanha pela reeleição à Presidência da República com um discurso marcado pelo resgate de sua trajetória política, críticas à direita e ao governo Jair Bolsonaro e propostas para o combate ao crime organizado. O primeiro ato foi realizado em São Bernardo do Campo (SP), cidade onde Lula iniciou sua carreira política como líder sindical.
O local escolhido foi o Estádio Municipal 1º de Maio, antigo estádio da Vila Euclides, palco das grandes assembleias de metalúrgicos do ABC no fim dos anos 1970. A escolha reforçou o tom de retorno às origens adotado pelo candidato. No palco, a campanha apresentou o slogan “O Brasil pronto para mais”, acompanhado do lema “Onde tudo começou”.
Críticas à direita e a Bolsonaro
Lula afirmou que uma das principais razões para disputar um quarto mandato é impedir que a direita volte ao governo federal. “Enquanto for vivo, não vou parar de lutar e nem deixar que a direita volte a governar o país”, afirmou.
Sem citar Jair Bolsonaro nominalmente, o presidente atacou a condução do governo anterior durante a pandemia de Covid-19. Lula responsabilizou a direita pelas mortes ocorridas no período e criticou a postura diante da falta de medicamentos e das vacinas.
“Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio. Uma direita que é responsável pela morte de 400 mil pessoas durante a Covid por irresponsabilidade com a vacina”, disse.
Em seguida, questionou a postura dos adversários diante das mortes provocadas pela doença.
“Se você rir de um velhinho que está morrendo asfixiado por falta de ar, que futuro você quer para o povo brasileiro?”, afirmou. Lula também convocou os eleitores a comparar os resultados de seus governos com os da gestão anterior, citando áreas como emprego, inflação e educação.
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Combate ao crime organizado
A segurança pública também foi um dos principais temas do discurso. Lula defendeu o combate às lideranças das organizações criminosas, com ações voltadas principalmente para quem comanda as facções.
Ao falar sobre o enfrentamento ao crime nas periferias, afirmou que prender ou matar apenas os criminosos que atuam nas ruas não resolve o problema.
“É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda está no apartamento de cobertura. O cara que manda está morando no condomínio e nós precisamos acabar com eles para poder acabar com o debaixo”, afirmou.
Lula também associou a política de segurança a investimentos sociais. Segundo ele, é necessário investir em educação para evitar que adolescentes entrem para o crime.
Retorno às origens
O discurso também teve forte tom emocional. Lula relembrou o início da trajetória sindical em São Bernardo do Campo e destacou a importância da cidade em sua formação política.
O presidente dedicou parte do pronunciamento à mãe, Eurídice Ferreira Mello, conhecida como Dona Lindu, e agradeceu a Deus.
“Eu estou muito agradecido a vocês, e a lembrança deste estado para mim é maravilhosa. É inesquecível o que eu vivi aqui”, afirmou.
Lula também fez referência ao tratamento de saúde que realiza atualmente, mencionando a radioterapia para tratar um câncer de pele na cabeça.
Ao lado dele no palco estavam o candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, além de aliados e candidatos ao Legislativo.
O ato marcou o início oficial da campanha de Lula à tentativa de conquistar um quarto mandato presidencial. Ele foi eleito presidente pela primeira vez em 2002, voltou ao cargo em 2022 e agora busca a reeleição.