
O senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciou oficialmente neste domingo (16) a campanha à Presidência da República com um discurso marcado por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defesa de medidas mais duras contra o crime e promessas de cortes nos gastos públicos. O primeiro ato foi realizado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, reduto tradicional do bolsonarismo.
Flávio afirmou que Lula deixa como legado “o sofrimento, a perseguição, a incompetência e a corrupção”. Também disse que o presidente não poderia “pisar em Copacabana” porque seria “odiado pelo povo”.
O candidato ainda criticou a situação econômica e a condução do governo federal. Segundo Flávio, os gastos públicos elevados comprometem a inflação, os juros, o poder de compra e a economia. Ao falar sobre Brasília, afirmou que “o resto do Brasil olha para Brasília com nojo”.
“Tesouraço” nas contas
Na economia, Flávio prometeu fazer um “tesouraço” a partir de janeiro de 2027. A proposta, segundo ele, inclui cortes de impostos, burocracia e corrupção.
O candidato também prometeu ampliar a geração de empregos e criar o programa “Minha Primeira Empresa”, voltado ao incentivo ao empreendedorismo. Outra proposta apresentada foi um voucher para que famílias de baixa renda possam matricular crianças em creches particulares.
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Endurecimento contra o crime
A segurança pública foi outro dos principais temas do discurso. Flávio prometeu classificar organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas.
Ele também voltou a defender a redução da maioridade penal e a castração química para condenados por crimes violentos e hediondos, especialmente em casos de violência sexual contra mulheres e crianças.
“Ladrão de celular vai ficar oito anos preso, no mínimo”, afirmou.
O candidato também criticou a política de segurança do governo Lula e associou o tema à ideia de soberania nacional. Segundo ele, o Brasil teria “perdido a soberania” diante da forma como o governo conduz questões relacionadas à segurança e às relações internacionais.
Relação com os Estados Unidos e outras potências
Flávio também apresentou sua proposta para a política externa. Ele afirmou ser o único candidato capaz de negociar com grandes potências e prometeu buscar acordos comerciais com Estados Unidos, China, Israel, Índia, Argentina e países do Oriente Médio.
“Eu sou o único que pode sentar com os Estados Unidos, com a China, com Israel, com o Oriente Médio, com a Índia e com a Argentina e fazer os melhores e maiores acordos comerciais pelo bem da nossa nação”, afirmou.
Continuidade de Jair Bolsonaro
O primeiro ato também teve forte presença da imagem de Jair Bolsonaro. Flávio reproduziu um áudio do pai e disse estar preparado para enfrentar o “sistema”. A campanha reforça a associação entre o candidato e o ex-presidente, que segue como principal referência política do grupo.
Em outro momento, Flávio reconheceu a semelhança com o pai, mas afirmou que pretende construir sua própria trajetória. “Sei que pareço com ele. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”, declarou.
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Colete à prova de balas
Flávio participou do comício usando um colete à prova de balas por baixo da camiseta. Segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, a medida foi determinada pela equipe de segurança e deverá ser mantida durante a campanha.
O uso do equipamento remete ao ataque sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018, quando ele foi esfaqueado em Juiz de Fora (MG).
No sábado (15), a Polícia do Senado informou ter cumprido um mandado de busca e apreensão em uma investigação sobre uma ameaça feita contra Flávio por meio de uma rede social.
O candidato esteve acompanhado do vice, Alfredo Gaspar, além de aliados e familiares. O ato em Copacabana marcou o início oficial da campanha eleitoral, quando os candidatos passaram a poder pedir votos explicitamente.