
Oito vice-presidentes viraram presidente na história do Brasil.
E, verdade seja dita, o eleitor, quase sempre, não está nem aí para o dito-cujo que ocupa a vaga de vice na chapa de um candidato a presidente da República. Deveria, Mas não está.
Vice, a gente só lembra quando o titular tem problemas.
Como me disse um amigo outro dia, o jornalista Eduardo Pandeló, vice é igual extintor de incêndio: ninguém dá importância, até precisar dele.
Foi assim com José Sarney quando da morte de Tancredo Neves, primeiro presidente civil após o fim da Ditadura Militar e a Redemocratização do Brasil. Foi assim com Itamar Franco depois da renúncia de Fernando Collor. E se repetiu com Michael Temer após o impeachment de Dilma Rousseff, a primeira e, até agora, única mulher a ocupar a Presidência em 137 anos de República. Isso falando só dos mais recentes. Antes tivemos Floriano Peixoto, Nilo Peçanha, Delfim Moreira, Café Filho (que tentou evitar a posse de Juscelino Kubitscheck) e João Goulart.
Os vices que chegaram lá tiveram um papel importante na História do Brasil. Uns, papel de mocinho. Outros, papel de vilão. Mas tiveram…
Estava pensando nisso ao ver a lista de vices nas eleições deste ano. Claro, a lista ainda está incompleta, mas vale a pena dar uma olhada com calma. E fazer a pergunta que, longe de ser agouro, é cada vez mais necessária: e se um desses caras assumir a Presidência da República?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai disputar a reeleição mantendo como vice o seu vice atual, Geraldo Alckmin (PSB). O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). Já o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) traz como vice o presidente de seu partido, Gilberto Kassab. O ex-governador Romeu Zema (Novo) vai à luta tendo o senador Eduardo Girão (Novo) como vice. Já Renan Santos (Missão) anunciou Aroldo Medina (Missão), militar da reserva e jornalista, como companheiro de chapa. Curioso: Flávio, Caiado, Zema e Renan encabeçam chapas puras, isto é, montadas dentro de suas próprias legendas.
Toc, toc, toc.
Depois de dar três batidas na madeira, responda à pergunta: qual deles daria mais segurança a você caso assumisse a Presidência da República em uma eventual vacância do titular?
Vice é uma figura curiosa. Em campanha, aparece sorrindo, acena, abraça e beija criança, faz discurso e promete ajudar a governar. Depois da posse, muitas vezes desaparece. Muitos viram um enfeite institucional, um estepe de luxo. Há quem passe quatro anos sem lembrar sequer o nome do vice, como bem me disse o amigo Pandeló. Mas, e se ele, o vice, for chamado para assumir a bagaça e bater o pênalti decisivo do campeonato?
Vale a pena pensar nisso. Quem saber dar um “google” na lista de vices. Pode ter coisa interessante por lá…
Segue o baile…
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