
Ricardo Galvão é o cara…
Ou melhor, a cara. Aos 7 anos, Ricardo Galvão é cara de uma São José dos Campos tecnológica, ligada à pesquisa, à ciência e à defesa do meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável, ao Inpe e aos institutos de alta performance, à inovação e à difusão de conhecimento. Um universo em que a Terra não é e nunca foi plana.
Exagero? Longe disso…
Mineiro de Itajubá, Ricardo Galvão ganhou projeção nacional ao responder às críticas feitas pelo então presidente Jair Bolsonaro, que classificou como mentirosos os dados divulgados pelo Inpe sobre desmatamento na Amazônia e atacou Galvão pessoalmente, acusando-o de estar a serviço de uma ONG, agindo contra os interesses do Brasil.
Então, diretor do Inpe, Galvão respondeu de bate-pronto: “É uma ofensa de botequim. Não vou responder, e ele que me chame pessoalmente e tenha coragem de me dizer cara a cara isso”.
Resultado: entrou em atrito com o então ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Ponte, teve o telefone grampeado e acabou exonerado do cargo semanas depois.
A atitude de Galvão repercutiu…
Na esteira do bate-boca com Bolsonaro, o cientista ganhou apoio da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que defendeu Galvão em um manifesto que classificou os ataques de Bolsonaro como ofensivos, ideológicos e desprovidos de fundamento.
Outros apoios se seguiram, até na NASA. Não foi só por sua defesa intransigente da ciência; a revista científica “Nature” nomeou Galvão como uma das dez pessoas mais importantes do ano de 2019 na ciência. Dois anos depois, em 2021, a Associação Americana para o Avanço da Ciência conferiu ao brasileiro o Prêmio da Liberdade e Responsabilidade Científica.
Na esteira disso tudo, entrou para a política.
Em 2022, lançou-se a deputado federal pela federação Rede Sustentabilidade/PSOL e obteve 40.5 votos, ficando com a terceira suplência. Assumiu o mandato em outubro de 2025.
Atuou como integrante da equipe de transição de governo na área de Meio Ambiente no final de 2022 e, no início de 2023, foi nomeado como presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Em 2026, trocou a Rede pelo PSB, partido pelo qual vai disputar a reeleição nas urnas de 7 de outubro.
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Vai ser eleito?
Isso é com o eleitor, mas, como exemplo de coragem, coerência e pela defesa da ciência em tempos adversos, Ricardo Galvão não poderia ficar fora da série de artigos sobre candidatos a deputado federal.
Segue o baile…
Abaixo, um breve pingue-pongue com Ricardo Galvão, feito por meio do WhatsApp:
- Anos depois, que lição fica do embate entre você e o então presidente Jair Bolsonaro em torno dos dados de desmatamento divulgados pelo Inpe?
“Passados mais de 6 anos, o embate que tive com o presidente Bolsonaro ainda está presente na lembrança de boa parte de nossa sociedade. Continuo sendo saudado por muita gente por ter enfrentado o presidente com altivez, em defesa não somente do INPE como de toda a ciência brasileira. Felizmente, creio ter ficado claro para as brasileiras e para os brasileiros que seu ataque negacionista às evidências científicas não foi simples consequência de falta de conhecimento, mas uma estratégia intencional para destruir tudo que fosse contrário a seus interesses e os de sua caterva.”
- Ricardo, você é candidato a deputado federal nestas eleições, agora pelo PSB. Qual será a sua principal bandeira de campanha, que ideias e projetos você defende?
“Minha plataforma está centrada em três eixos principais: (i) fortalecimento da legislação e de políticas públicas diretamente relacionadas ao desenvolvimento sustentável do país; (ii) formação de uma bancada da ciência no Congresso Nacional, que trabalhe pelo emprego das evidências e do conhecimento científico e tecnológico na formulação de políticas públicas estratégicas; (iii) estímulo ao desenvolvimento tecnológico acionado pela ciência de forma soberana pelo país, de acordo com a estratégia nacional de ciência e tecnologia recentemente elaborada pelo governo.”