
Há 40 anos, um dos eventos mais emblemáticos e misteriosos da ufologia mundial teve início em São José dos Campos. Na noite de 19 de maio de 1986, luzes incomuns começaram a ser vistas nos céus do Vale do Paraíba, dando início ao caso que ficaria conhecido nacionalmente como a “Noite Oficial dos OVNIs”.
Naquela noite, objetos não identificados apareceram nos radares da Força Aérea Brasileira (FAB), foram vistos por moradores, pilotos e controladores de voo, além de serem perseguidos por caças militares em diferentes regiões do país.
‘Um farolzinho’ na torre de controle
Tudo começou por volta das 18h30, na torre de controle do Aeroporto de São José dos Campos. O sargento Sérgio Mota da Silva, controlador de voo de plantão, avistou pontos luminosos que mudavam de cor e se moviam em velocidades impossíveis para a tecnologia da época.
“Tem alguma coisa aqui no setor noroeste de São José. Um farolzinho… o bicho tá parado: nem sobe nem desce, não vai pra esquerda nem pra direita. Não é estrela não“, relatou Mota em áudios da época.
Os objetos, que alternavam entre o branco, vermelho e verde, logo apareceram nos radares do Cindacta I (Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), em Brasília, confirmando que não eram apenas ilusões de ótica, mas alvos sólidos detectados pelo sistema de defesa aérea.
‘Eles pareciam brincar com o avião’: o relato de Ozires Silva

Enquanto Mota observava as luzes da torre de controle em São José dos Campos, o então presidente da Embraer e recém-nomeado presidente da Petrobras, Ozires Silva, retornava de Brasília a bordo de um bimotor Xingu pilotado por Alcir Pereira da Silva.
Durante a aproximação para pouso, a torre alertou a tripulação sobre três objetos não identificados que apareciam em formação na rota da aeronave e também eram detectados pelos radares do CINDACTA. Intrigado, Ozires comentou com o piloto que gostaria de ver um “disco voador” de perto. A partir disso, o pouso foi cancelado e os dois iniciaram uma tentativa de perseguição aos objetos.
Segundo relatos publicados na época, as luzes eram avermelhadas, intensas e se moviam de forma incomum, desaparecendo de um ponto e reaparecendo em outro sem deixar rastros. Durante cerca de 30 minutos, o avião sobrevoou a região entre São José dos Campos, São Paulo e a Serra do Mar tentando se aproximar dos alvos, mas sem sucesso.
Em determinado momento, o controle aéreo chegou a informar que os objetos estariam atrás da aeronave. O piloto realizou uma curva de 180 graus, mas as luzes reapareceram pouco depois em outra posição. “Era uma luz muito forte, que não poderia ser nenhum reflexo”, relatou Alcir Pereira em entrevistas dadas após o episódio.
Após o pouso, já com atraso em relação ao previsto, Ozires solicitou que a ocorrência fosse comunicada ao sistema de defesa aérea da FAB. Pouco depois, caças supersônicos F-5 e Mirage foram acionados para tentar interceptar os objetos vistos naquela noite.
Caças da FAB e manobras hipersônicas

A situação levou o Comando da Aeronáutica a acionar cinco caças, dois F-5E de Santa Cruz (RJ) e três Mirage de Anápolis (GO). Os pilotos militares relataram que os objetos faziam curvas em ângulos retos e atingiam velocidades superiores a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som).
Em um dos momentos mais tensos, um dos pilotos relatou estar sendo “seguido” por 13 objetos que se posicionaram atrás de sua aeronave. Quando ele tentava manobrar para vê-los, os pontos desapareciam e reapareciam em outra posição instantaneamente.
Confira o vídeo com os audios dos pilotos:
Fotos confiscadas por supostos agentes da NASA

Em solo, o fotojornalista Adenir Britto, do jornal Valeparaibano, foi o único a conseguir registrar o fenômeno em fotos. No entanto, o material original tornou-se outro mistério: Britto relatou que pesquisadores que se identificaram como sendo da NASA, acompanhados por militares brasileiros, confiscaram os negativos para análise e nunca os devolveram.
“Eles levaram o material e nunca deram um parecer. O que restou foram as fotos publicadas no jornal“, contou o fotógrafo.
Caso teve confirmação pública
Diferente de outros casos ufológicos, a Noite Oficial dos OVNIs teve uma confirmação pública imediata. O então Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, convocou uma coletiva de imprensa admitindo os fatos.
Anos mais tarde, em 2009, um relatório oficial da FAB desclassificado concluiu que os fenômenos eram sólidos e refletiam inteligência pela capacidade de manter distância e voar em formação e que os objetos não eram necessariamente tripulados (podendo ser sondas).