
Pendurado por cordas a dezenas de metros do chão, o venezuelano Benito já se acostumou à rotina nas alturas. Há cerca de três anos trabalhando como alpinista predial e industrial, ele realiza serviços suspenso em prédios e estruturas elevadas.
No Jardim das Colinas, em São José dos Campos, dois prédios passam por operações realizadas por alpinistas industriais. Um deles é justamente a sede da nossa redação. A cena, comum em grandes cidades, muitas vezes acaba passando despercebida na rotina corrida do dia a dia.

Em um dos edifícios Helbor, trabalhadores realizaram um processo de pintura externa pendurados por cordas, sentados em uma espécie de “banquinho suspenso”, equipamento utilizado para sustentação durante o serviço em altura. A movimentação podia ser observada diretamente da mesa onde o repórter que aqui escreve senta diariamente.
Ao perceber a cena dos trabalhadores suspensos na fachada do prédio à frente, surgiu um pensamento imediato: “isso daria uma ótima foto”. A situação foi comentada com a chefia, que concordou na hora. Poucos minutos depois, corri tal qual Forrest Gump até a bicicleta, seguida de uma ida rápida para casa em busca da câmera e da lente que seriam capazes de nos aproximar de mais um dia comum de trabalho para aqueles homens.
Uma funcionária da obra explicou que existiam apenas três momentos possíveis para isso: antes do início do expediente, no horário de almoço ou ao final do dia. Depois que os alpinistas sobem, já não podem simplesmente descer antes de determinada hora.
Pouco antes de escalar o prédio, pelo início da manhã, Benito explicou rapidamente sobre como é sua experiência.
“Já tenho como três anos trabalhando subindo, descendo, subindo, descendo o prédio”, contou.
Apesar do risco envolvido na profissão, Benito afirma que não sente medo de altura. Segundo ele, a preparação técnica faz parte do trabalho.

“Não, porque em outro país onde eu estava trabalhando, eu fiz curso de altura. E não tenho medo não”, disse.
Entre as capacitações mais comuns estão cursos com técnicas de segurança, uso de arnês e deslocamento em postes, colunas e estruturas elevadas.
Além do preparo físico, o controle emocional é essencial para quem trabalha diariamente suspenso a grandes alturas. Ficar pendurado por horas para Benito já é considerado normal e o salário vale o risco.
No Brasil, a profissão exige certificações específicas, como treinamentos de trabalho em altura previstos em normas de segurança. A média salarial da área varia conforme experiência, especialização e tipo de serviço executado.
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