
Entre cachoeiras, trilhas e conhecimentos ancestrais preservados na Mata Atlântica, três aldeias indígenas do Litoral Norte paulista passaram a integrar, pela primeira vez, o Guia Turístico das Aldeias Indígenas do Estado de São Paulo.
Lançada pelo governo estadual no mês do Dia dos Povos Indígenas, a publicação mapeia 16 territórios abertos à visitação e revela ao público experiências além do turismo convencional.
No recorte do Litoral Norte, os destinos ficam em Ubatuba e São Sebastião e são habitados por povos Tupi-Guarani e Guarani Mbya.
Cultura e agrofloresta aos pés do Pico do Corcovado

A Aldeia Renascer Ywyty Guaçu reúne famílias dos povos Tupi-Guarani e Guarani Mbya em um território retomado em 1999, em Ubatuba. Fundada pelo cacique Antônio Awá, a comunidade nasceu com o objetivo de preservar a cultura e garantir o direito à terra.
Hoje estruturada com escola, posto de saúde e centro cultural, a aldeia também se destaca pelo trabalho com agrofloresta e participação no programa Guardiões da Floresta, que paga comunidades indígenas que ajudam a proteger áreas naturais, especialmente onde há sobreposição com Unidades de Conservação.
Um dos atrativos é o acesso ao Pico do Corcovado, dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, onde indígenas credenciados acompanham visitantes em trilhas guiadas. O roteiro inclui ainda apresentações culturais e a produção de artesanato em madeira, palha e barro.
Imersão na cultura Guarani Mbya
Também em Ubatuba, a Terra Indígena Boa Vista oferece uma imersão na cultura Guarani Mbya, preservada há mais de 50 anos no território.
A aldeia combina natureza e tradição em trilhas que levam a cachoeiras e áreas de mata fechada, além de atividades ligadas ao artesanato, como biojoias, cestarias, colares e artefatos de madeira.
Mesmo enfrentando processos de revisão territorial, a comunidade mantém práticas culturais e espirituais como eixo central da vida cotidiana.
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Aldeia com 200 anos
Na Terra Indígena Rio Silveira, em Boraceia, São Sebastião, o visitante encontra uma comunidade com cerca de 200 anos de história. São mais de 220 famílias que vivem da roça, da criação de animais e da produção artesanal, em um modelo que combina subsistência e preservação ambiental.
O turismo chegou há cerca de uma década como ferramenta para fortalecer a cultura local. Quem visita pode participar de trilhas até cachoeiras, conhecer viveiros de mudas, experimentar a culinária típica e acompanhar práticas como pintura corporal e produção de arcos, flechas e cestarias.
A aldeia também desenvolve ações de reflorestamento com espécies nativas, como o palmito, e mantém áreas preservadas da Mata Atlântica.
Mais sobre o guia
Além dessas três aldeias, o guia estadual inclui destinos no interior e na Grande São Paulo, além de dois museus dedicados ao tema indígena. A proposta é ampliar o acesso do público às culturas originárias, com respeito e protagonismo das comunidades. Confira o material completo clicando aqui.