
Acredite se quiser…
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, citou uma fala do filme “Pulp Fiction”, dirigido por Quentin Tarantino em 1994, como se fosse uma passagem bíblica durante culto que costuma fazer todo mês na sede do Pentágono.
É sério…
Pete Hegseth, de 45 anos, acreditou que citava um trecho atribuído a Ezequiel 25:17, mas, na verdade, estava lendo, com voz séria e embargada, tim-tim por tim-tim, o que o personagem de Samuel L. Jackson, Jules Winnfield, recita antes de cometer um assassinato no filme que é considerado uma obra-prima do cinema moderno.
É caso de dizer, absolute cinema…
Culpa de algum estagiário, que é ruim de Bíblia, mas bom de cinema? Não sei, mas fiquei com a sensação de que é desesperador ver que o maior e mais letal arsenal de armas e tecnologia de destruição em massa do mundo está nas mãos de pessoas atrapalhadas, que trocam o Velho Testamento por Hollywood sem ao menos piscar.
Vale conhecer mais dessa história…
Na última quarta-feira, Hegseth afirmou que o texto de Ezequiel, um dos principais profetas do Velho Testamento, teria sido utilizado como uma espécie de oração por um piloto ligado ao planejamento de uma missão militar americana no Irã.
“Bendito seja aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião de seu irmão e o protetor das crianças perdidas”. O trecho segue: “E eu me vingarei com grande fúria e ira daqueles que tentarem capturar e destruir meu irmão, e saberão que meu nome é o Senhor quando eu lançar minha vingança sobre eles.”
No cinema, na voz de Samuel L. Jackson, soa melhor…
Para deixar esse enredo cada vez melhor, o secretário de Defesa do governo Donald Trump também citou a Bíblia para atacar a mídia, comparando repórteres aos judeus que perseguiam Jesus Cristo, que planejavam “como destruí-lo” essa foi a citação). Os comentários, é claro, miram a imprensa norte-americana, que, segundo o governo, faz uma cobertura excessivamente negativa da guerra contra o Irã. E ocorrem em meio a uma briga acirrada entre Donald Trump e o papa Leão 14, o primeiro líder da Igreja Católica nascido nos EUA e um crítico constante da guerra.
Absolute cinema?
Pelo sim, pelo não, lembrei, automaticamente, de outro filme: “Doutor Fantástico“, de Stanley Kubrik, de 1964, estrelado por Peter Sellers, no original “Dr. Strangelove”. Espero que com gente como Trump e Hegseth à frente da máquina que guerra, a gente não chegue à cena final desse clássico dosanos 60, que, à época, causou forte impacto ao mostrar ogivas nucleares espocando no céu e formando gigantescos cogumelos radiativos. Tudo isso ao som de uma melodia romântica, cuja letra, cuja letra diz: “Nós nos encontraremos de novo”. Pura ironia, afinal, onde é vamos nos encontrar depois de um apocalipse nuclear?
Segue o baile…
Veja também: ‘Felicio optou pelo voo solo’