
Um casal decidiu fazer um resgate contemporâneo e construir uma casa de pau a pique, no meio da natureza de Monteiro Lobato, com terra, bambu e eucalipto.
Os antropólogos Andrea Barbosa e Edgar da Cunha, proprietários, falaram sobre a decisão ao canal Entre Pra Morar, de Mirian Bolson, e o destaque foi nítido: fugir do caos de São Paulo e diminuir a velocidade da vida.
“São Paulo é uma cidade fora da escala humana. As distâncias são enormes (em todos os sentidos) e acho que a pandemia fez a gente repensar uma série de coisas”, disse Andrea.
A vinda para Monteiro Lobato aconteceu por meio de amigos, que compraram uma fazenda e dividiram o terreno em lotes, um deles comprado pelo casal em 2022.
“Viemos visitar e ficamos encantados pelo lugar, a vista, as montanhas cabeludas (mais do que as carecas)”, brincou Andrea.

Desde a compra, foram dois anos de pesquisa, livros e vídeos no YouTube. Uma completa imersão no mundo da bioconstrução, que ajudou o casal a criar um repertório crítico.
Ao encontrar os arquitetos Ricardo Piva e Ana Livia Bruno, Andrea e Edgar ficaram seguros na decisão de construir uma casa de pau a pique.
O projeto ainda está em fase de construção, detalhada pelos arquitetos.
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O barro do pau a pique
Com telhado vazado para a entrada de ar e luz natural e uma varanda com vista direta para as montanhas, Ricardo explicou que a terra usada na construção é a do próprio terreno.
“A gente pega a terra do barranco, peneira e depois mistura com areia por ser uma terra muito ‘liguenta’. Isso não tem receita e depende do tipo de terra do local.”
Em outras ocasiões, a terra pode ser muito arenosa e acaba precisando de argila na mistura.
Ele ainda ressaltou que precisou mudar a receita e a terra usada na casa para não ter uma parede tão seca. “Pegamos uma terra mais profunda e fizemos uma receita mais lisa após os primeiros testes.”
Além disso, Ricardo explicou que as rachaduras, tradicionais deste modo de construção, são normais e necessárias.
“No processo, a terra é cortada, amaciada e misturada com água. Uma hora a água precisa secar, e é aí que aparecem as trincas. Isso tem que acontecer.”
Em seguida, a parede pode receber um revestimento, com cal virgem, e ter a mesma aparência de uma alvenaria comum. Isso quebra o estigma de que insetos barbeiros podem se instalar nas frestas da parede.
“A gente costuma até deixar uma ‘janelinha’ para provar que a casa é de pau a pique, porque depois de finalizada não dá para saber”.

Trama de bambu e vista privilegiada
A trama da casa é feita de bambu amarrado com arame e a fundação toda de pedra rachão para nivelar a casa. Apenas a parte do banheiro da casa é feita de tijolo maciço.
A rede elétrica e de água passam por dentro da trama e, em caso de manutenção necessária, a parede pode ser quebrada como uma convencional.
Ricardo afirmou que a reconstituição é simples, podendo ser feita com a mesma receita usada na construção.
Na varanda foram utilizados pilares de eucalipto enterrados no solo, por meio de uma cama de brita, para dar mais segurança devido à força do vento e evitar umidade no pilar.
A brita também será usada embaixo do piso da casa, que será de cerâmica, para evitar a umidade do solo.
Ao detalhar a parte interna da casa, Ana Livia ressaltou que a ideia foi priorizar a vista com grandes janelas por toda a extensão da construção.
A ideia do casal é morar na casa no futuro e aproveitar a aposentadoria no meio da natureza.
O vídeo completo sobre a casa pode ser visto no canal Entre Pra Morar.