
Teria a classe artística cansado de esperar algo da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), responsável pela política oficial de cultura em São José dos Campos?
Há um cenário efervescente na área cultural da cidade, que conta com um grande número de iniciativas particulares no campo artístico, como teatros independentes, escolas de circo e de dança, casas de shows e estúdios, entre outros espaços.
Essa cena criativa pode ser sinal da falência da política pública de cultura, mas pode, também, indicar o amadurecimento do município. E pode ser as duas coisas.
Para saber se há algo de importante acontecendo, talvez seja útil olhar para a realidade de outras cidades. Antes, é preciso dizer que, sim, é necessário que a prefeitura municipal assuma seu protagonismo na gestão da política pública de cultura. Isso não quer dizer, contudo, que uma cidade, qualquer que seja ela, atinja a maturidade na oferta cultural contando apenas com as realizações do poder público.
Tem sido pauta da comunidade artística de São José dos Campos que se recupere a histórica importância da FCCR. De forma coerente e organizada, mas infelizmente sem todo o respaldo político que mereceria, esse grupo de artistas e gestores reivindica políticas públicas claras, planejamento de longo prazo e a manutenção de programas permanentes para a população.
A demanda da classe é legítima, e o poder público municipal, há muito, deve providências para evitar o sucateamento de suas equipes e o desprestígio de seus projetos. No entanto, essa mesma classe artística, talvez sem que o perceba, já colocou a cidade em outro patamar em relação à oferta de bens culturais.
Há grandes cidades que não possuem o dinamismo cultural que se verifica hoje em São José. Guarulhos, por exemplo, tem o dobro da população e raríssimas iniciativas de manutenção de espaços privados de cultura. Nossa cidade, ao contrário, tem tanta oferta em seus espaços independentes que, às vezes, é difícil optar por qual espetáculo assistir. Uma cena de crescente qualidade e de grande diversidade está se ampliando a olhos vistos.
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Na cidade de São Paulo, a iniciativa chamada Paulista Cultural reúne diversas instituições culturais sediadas na Avenida Paulista, reforçando o papel daquele lugar como um dos mais importantes destinos culturais da cidade.
O interessante dessa ação, para conectá-la à discussão sobre São José, é que, dentre todas as instituições envolvidas, apenas a Casa das Rosas é mantida pelo poder público estadual. As outras instituições são mantidas pela iniciativa privada: MASP, Centro Cultural Fiesp, Instituto Moreira Salles (IMS), Sesc Avenida Paulista, Japan House e Itaú Cultural.

Além desse caso específico, é importante notar que, apesar de a cidade de São Paulo concentrar muitas e relevantes instituições públicas de cultura, sua cena artística não seria a mesma se não existissem as inúmeras iniciativas particulares, espaços independentes ou ligados a empresas, que criam espaços significativos de expressão para a comunidade artística e propiciam ambientes de fruição para o público consumidor de arte.
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É possível imaginar, por isso, que São José não depende mais da Fundação Cultural. Isso não isenta a instituição de assumir sua responsabilidade na área, e seria muito desejável que ela estivesse à frente desse processo. Mas parece que a cidade, ao olhar para o exemplo das grandes capitais, chegou àquele ponto em que a oferta de bens culturais supera a capacidade de realização do poder público municipal. E isso é bom.
Grupos locais têm conseguido realizar programações regulares, muitas vezes financiadas por políticas federais de cultura, e essa capacidade de gestão tem formado cada vez mais públicos para a arte.
Claro, faltam ainda parceiros da iniciativa privada, que poderiam instalar-se na cidade, como, por exemplo, o Centro Cultural Banco do Brasil ou o IMS, que tem uma unidade na pequena Poços de Caldas. Também para conseguir isso seria importante o protagonismo da FCCR e do Executivo municipal.
São José dos Campos já foi referência em grandes festivais de teatro e de dança — projetos que poderiam voltar a ter a mesma relevância em seus cenários. Já realizou importantes mostras de artes visuais e foi referência em estudos de arquitetura moderna.
Quando isso voltar a acontecer, esses projetos se somarão à cena artística fomentada pelos grupos independentes, e a cidade, que então terá assumido o papel que lhe cabe no mapa regional, se inserirá no rol das grandes cidades do país. Porque, para ser grande, não basta ter o maior número de condomínios fechados ou ser a localidade que mais produz aviões. Aliás, não seria bonito ver a nossa empresa de aviação mantendo um centro cultural de excelência na cidade que a viu nascer e voar para o mundo?
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Querido Oswaldo e equipe do spriomais.com.br. A FCCR está há um bom tempo paralisada, com as verbas congeladas e servindo mais aos interesses políticos e econômicos da prefeitura que as das políticas públicas para a cultura em Sanja City. O processo de desmantelamento é claro, os funcionários de carreira estão se aposentando ou morrendo, a direção da autarquia não se move em outros terrenos que não sejam institucionais e políticos, as Casas de Cultura perdendo usuários a cada dia por falta de programação e muitos outros problemas que não cabem aqui, mas existem, inclusive, suspeitas de corrupção e desvio de função da autarquia. A FCCR poderia e deveria fazer parcerias com Pontos de Cultura, entidades de classe e empresas da cidade para a promoção da cultura, mas falta vontade política e preguiça institucional. É uma triste constatação…que nenhum evento de grande porte pode esconder. Seguimos no front em defesa de uma FCCR mais ativa e criativa. Abraços.