
Imagine-se andando pelo quadrilátero cultural de São José dos Campos em um fim de semana e, enquanto se desloca de uma livraria de rua para um dos parques, volte sua atenção para um grupo de artistas que se apresenta no espaço público, para toda a família.
Em um trajeto de cerca de 1 km, você, que é da cidade ou veio de um dos municípios do entorno, fruiu de um espetáculo, visitou um museu e passou por uma das principais feiras de arte e artesanato da região.
Se esse passeio acontecer no período de um dos festivais anuais, você fará isso ao lado de centenas de pessoas, todas vivenciando aquilo que a nossa cidade e o país produzem de melhor em termos de arte.
Os lugares que compõem o quadrilátero cultural
Talvez você ainda não tenha experimentado esse passeio, mas ele já é quase possível. Antes de falar sobre isso, no entanto, é preciso explicar o que se propõe como o quadrilátero cultural. Há uma região da cidade, com corredores de transporte público, área quase cem por cento plana e propícia à caminhada, boa arborização e boa estrutura de serviços, que se configura como um excelente local de encontro para a população que procura arte e cultura.
Trata-se da região que envolve as avenidas Dr. Adhemar de Barros, São João, Paulo Becker, José Longo e Heitor Villa Lobos.
Nessa área encontram-se vários pontos de interesse para o lazer: o núcleo Parque Santos Dumont–Sesc–Cia. Bola de Meia, o Parque Vicentina Aranha, a Livraria Mantiqueira e o Teatro Marcelo Denny, para citar apenas os espaços limítrofes. Sem desconsiderar o valor de iniciativas de lazer em outras regiões da cidade, que têm eventos de outra natureza, essa área concentra boa parte da produção cultural oferecida à população joseense e que poderia ser, e em alguma medida talvez já o seja, polo de atração para pessoas das cidades próximas.
Uma das principais características positivas desse espaço é a oferta de programação cultural, já bastante reconhecida e frequentada pela população. Atividades regulares, quando conseguem manter-se em dias e horários razoavelmente fixos, têm o mérito de criar um público fiel, e esse é um dos principais desafios de quem realiza atividades culturais.
Quem trabalha com arte sabe disso. Nada substitui a força do hábito, o afluxo natural das pessoas em direção a uma atividade de que gostam. Essa é a maior prova de que uma iniciativa deu certo.
Quando isso acontece, é porque houve uma confluência de interesses: aquela ação cultural atende ao desejo de seu público; o horário, o dia da semana, a localização e o preço, tudo converge para que alguém compareça à atividade oferecida.
Procura + frequência de atividades
O quadrilátero cultural de São José dos Campos reúne duas das principais condições para seu êxito: há uma procura espontânea da população por aquele espaço e há quase uma regularidade de atividades.
Por isso, como ocorre nas grandes cidades, não seria exagero supor que São José poderia oferecer oportunidades permanentes de consumo cultural para o Vale do Paraíba, configurando-se como um polo de atração regional, a exemplo do que ocorre na capital, que tem a Avenida Paulista como um dos espaços agregadores e um dos cartões-postais da cidade. Para isso, entretanto, seria necessário acrescentar outro ingrediente: a intencionalidade.
Seria preciso que São José assumisse seu protagonismo como polo regional, o que já é feito pelas companhias e grupos artísticos independentes e pela iniciativa privada, que mantém nessa região vários cafés e restaurantes.
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O que dá para fazer?
O poder público poderia ser o indutor dessa transformação social, oferecendo uma programação regular, de rua, para toda a população. Aproveitando o espaço dos parques e das avenidas, realizando festivais no estacionamento do Parque Santos Dumont, quem sabe idealizando um centro cultural ou museu onde hoje há uma agência do banco Itaú, muito bem localizada em frente ao parque, ou promovendo grandes ações da Fundação Cultural, instituição que carece de novos desafios.
Nesse cenário, o afluxo de público, que já ocorre de forma pontual, seria estimulado e incrementado, gerando a ocupação por novos estabelecimentos comerciais e espaços de produção artística.
O lazer é um grande impulsionador da felicidade e, em suas diversas formas, é espontaneamente procurado pela população. Se parte dos compromissos do poder público é atender às necessidades de seus munícipes, fazê-los felizes deveria ser um de seus principais imperativos.
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A cidade tem musculatura artística e cultural para isso, só falta essa sensibilidade do poder público