
A aposentadoria de Dom Orlando Brandes marca o fim de um ciclo à frente da Arquidiocese de Aparecida, responsável pela condução pastoral do principal centro de peregrinação católica do país. A saída ocorre após quase dez anos de liderança na cidade que abriga a Basílica de Aparecida, sede do Santuário Nacional de Aparecida.
Tradicionalmente, segundo o Código de Direito Canônico, um bispo deve apresentar seu pedido de renúncia ao papa aos 75 anos, mas, no caso de Dom Orlando, o tempo do religioso à frente da Arquidiocese de Aparecida foi estendido a pedido do Papa Francisco, em carta enviada pelo pontífice em 2023.
A definição do sucessor será feita pelo Papa Leão XIV, responsável pela nomeação dos bispos e arcebispos em todo o mundo. A decisão envolve não apenas a administração da arquidiocese, mas também a condução das atividades religiosas no santuário, que recebe milhões de fiéis anualmente.
Durante sua gestão, Dom Orlando esteve à frente das celebrações oficiais, encontros religiosos e grandes eventos ligados à devoção a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O arcebispo também representou a Igreja local em compromissos nacionais e participou de debates públicos sobre temas sociais e religiosos.
Com a aposentadoria formalizada, a Arquidiocese aguarda o anúncio do novo arcebispo. Até que a nomeação seja publicada oficialmente pela Santa Sé, a estrutura administrativa segue sob condução interna, conforme as normas da Igreja Católica.
Veja também: ‘Sem querer querendo’, exposição do Chaves em São José leva fãs aos cenários clássicos e itens afetivos da série
Como será feita a escolha
Em meio à expectativa pela definição do novo arcebispo, o padre Thiago Henrique, da Arquidiocese de Aparecida, detalhou como funciona o processo de escolha conduzido pela Santa Sé. Segundo ele, a substituição de um bispo pode ocorrer por três razões: ao completar 75 anos, quando é obrigatória a apresentação da carta de renúncia, por transferência para outra diocese ou em caso de falecimento.
No caso de Dom Orlando, a mudança ocorre após o religioso completar 80 anos, em abril, idade até a qual permaneceu no cargo a pedido do papa da época. Agora, a decisão está nas mãos do Papa Leão XIV.
De acordo com o padre, o processo é sigiloso e segue normas do chamado segredo pontifício. A condução inicial cabe ao núncio apostólico no Brasil, representante diplomático do Vaticano, que inicia uma consulta reservada a bispos da região e a integrantes da própria arquidiocese.
“Algumas pessoas são consultadas. Bispos da região, alguns padres da diocese, religiosos, religiosas e até lideranças podem ser ouvidos para traçar o perfil mais adequado”, explicou.
Após essa etapa, é elaborada uma lista tríplice com três nomes considerados aptos para assumir a função. Essa relação é enviada ao Dicastério para os Bispos, no Vaticano, responsável por analisar a trajetória pastoral, administrativa e acadêmica dos indicados.
“Faz-se uma varredura no histórico, na formação, na biografia detalhada desses bispos. Tudo é avaliado antes de chegar ao papa”, afirmou.
O pontífice pode escolher um dos nomes sugeridos, solicitar nova lista ou até indicar outro religioso fora da relação apresentada. Uma vez tomada a decisão, o nome retorna à nunciatura no Brasil, que comunica o escolhido. Somente após a aceitação formal do bispo é que a nomeação passa a ser divulgada oficialmente, de forma simultânea pelos canais do Vaticano e pela Igreja no país.
Enquanto o anúncio não é feito, a arquidiocese segue sob a condução interna prevista pelas normas canônicas. Padre Thiago afirma que o clima é de espera.
“Não sabemos efetivamente o nome do bispo que vai vir aqui para Aparecida, nem quando isso vai acontecer. Suspeitamos que seja até abril, mas não há confirmação”, disse.
Ele ressalta que, apesar da dimensão territorial reduzida, a arquidiocese tem projeção nacional por concentrar o Santuário Nacional de Aparecida, além de outros polos religiosos da região. “É uma arquidiocese pequena, mas que reverbera muito no Brasil”, afirmou. Até a definição oficial, a comunidade católica acompanha o processo em reserva.
“O nome já deve ter sido escolhido. Isso é fato. Mas quem sabe, pelo segredo pontifício, não fala”, declarou o padre.
O que faz um arcebispo
O arcebispo é o principal responsável pela liderança espiritual e administrativa de uma arquidiocese, que é uma das maiores e mais importantes circunscrições da Igreja Católica. Ele atua como o “pastor-chefe” da comunidade local, promovendo a celebração dos sacramentos, coordenando atividades pastorais e acompanhando o trabalho dos padres e demais agentes da Igreja. Entre suas atribuições está a ordenação de sacerdotes, a condução de celebrações importantes e a promoção da vida de fé entre os fiéis sob sua jurisdição.
Além das funções espirituais, o arcebispo lida com questões administrativas e estratégicas na sua região. Isso inclui supervisionar a gestão financeira e de pessoal da arquidiocese, indicar párocos e dirigentes de organismos e representar a Igreja em eventos públicos e no diálogo com outras instituições. Em muitos casos, ele também exerce papel de articulação e colaboração com outras dioceses da província e participa de instâncias nacionais da hierarquia eclesiástica