O Governo de São Paulo sancionou nesta quarta-feira (4) uma lei que garante a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares o direito a sessões mensais de cinema com adaptações sensoriais. A medida, que deve ser implementada em até 60 dias, estabelece padrões como iluminação suave, volume reduzido do som e livre acesso para entrada e saída durante a exibição. As sessões serão identificadas com o símbolo mundial do espectro autista.
“Autistas tem direito e precisam frequentar todos os lugares da sociedade”

Para autistas e suas famílias, a iniciativa é vista como um avanço na inclusão social. Angélica de Oliveira, diagnosticada com autismo com nível 1 de suporte aos 30 anos e mãe de dois filhos autistas, relata que as barreiras sensoriais impossibilitam frequentemente a permanência em sessões convencionais.
“Quando se fala de autismo, é bom a gente lembrar que uma das maiores barreiras para poder incluir uma pessoa com autismo na sociedade são as questões sensoriais que o autista apresenta, como principalmente as questões com luzes e barulho. O cinema é um lugar bem barulhento. Meu filho e eu já passamos por dificuldade de permanecer em uma sessão inteira de cinema. Nós gostamos muito de cinema, porém já tivemos dificuldade de permanecer.” comenta.
Ela destaca que a adaptação do ambiente é um passo importante para que pessoas autistas possam usufruir de espaços culturais.
“Garantir inclusão para as pessoas com autismo na sociedade é olhar em todos os lugares e principalmente no meio cultural, as pessoas autistas têm o direito e precisam frequentar todos os lugares da sociedade”, completa.
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Público limitado e filmes com menos estímulos

Já Isabela Moreti, mãe de um adolescente autista de 15 anos com nível 3 de suporte, aponta que as dificuldades do filho no cinema incluem o barulho, o escuro e a necessidade de movimentação. Ela acredita que sessões adaptadas trarão mais tranquilidade para as famílias. “Ajudaria muito, pois ficaria despreocupada se ele está fazendo barulhos ou se movimentando”, afirma.
“O ideal seriam sessões com público limitado, para não ficar muito tumultuado. Filmes curtos e voltados para esse tipo de público que tem maior sensibilidade sensorial. Então evitar filmes com ruídos e cores muito intensos, ou muito acelerados, sem estímulos agressivos. E possivelmente sessões voltadas para diferentes faixas de idade.”
Isabela também sugere melhorias adicionais, como a exibição de filmes mais curtos, com menos estímulos intensos, e a divisão das sessões por faixa etária.
“Eles têm uma atenção menor, então não adianta botar um filme de uma hora e meia, porque as crianças não vão conseguir completar aquele filme.” Ela cita ainda a importância de evitar trailers longos, que podem gerar ansiedade. “Já começa o filme rapidamente”, propõe.
O governador Tarcísio de Freitas vetou o trecho que proibia propagandas comerciais antes dos filmes, por entender que a regulamentação de publicidade compete à União.
A partir de agora, os cinemas terão dois meses para se adequar às normas, sob pena de multas e sanções administrativas. A expectativa é que a medida incentive outros estados a adotarem políticas semelhantes.