
As peças da artista joseense Raquel Toledo Cartaxo são também preciosos catálogos da exuberância de folhas e flores da região de São José dos Campos. Em algumas áreas, a cidade revela dois biomas em convívio: a Mata Atlântica e o Cerrado.
Raquel é impressora botânica e leva cores e formas desse meio ambiente de vários verdes e ocres para uma série de tecidos naturais. A impressão botânica é aquela técnica usada para “imprimir” em tecido, de maneira direta e duradoura, “desenhos da natureza”, com a transferência de pigmentos presentes em folhas e flores.
Nos trabalhos de Raquel estão lá, admiráveis em suas ramificações: folhas de aroeira, goiabeira, pitanga, macela, manacá, jasmim, capim, canela-de-velho, e pitadas “urbanas”: crisântemos, gerânios e até um experimento com miscelânea de ervas e temperos.
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Raquel prefere dizer “sou artesã” a se intitular artista, mas é difícil não considerar suas escolhas estéticas, a sutileza dos arranjos e até a paleta de cores (com espaço para as surpresas dos processos químicos e orgânicos, evidentemente), nos tecidos que funcionam como telas. Algumas delas já estiveram expostas ao lado de pinturas e esculturas na Galeria Ivone Weiss, na Univap (Universidade do Vale do Paraíba).
Nos próximos dias, a artista ministrará duas oficinas a interessados do projeto artístico Arco, no CAEB (Centro Artístico-Ambiental Edoardo Bonetti), em São José dos Campos.
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A estamparia mais funcional, entretanto, é que toma conta do coração da artesã, mais interessada na sustentabilidade de seu projeto de impressões, que podem ganhar vida e volume num vestido, numa camisa, numa toalha, numa cortina, numa echarpe esvoaçante…
Raquel monta seus varais em feiras e praças. O fotógrafo Lucas Lacaz Ruiz é garoto-propaganda: sempre que pode exibe um inédito camisão estampado por Raquel. A artista faz parcerias com costureiras para criação e design depois assinados pela Jardim do Cosmos, sua microempresa com nome pra lá de inspirador. As peças podem ser encomendadas pelo Instagram da marca.

Foi Lucas quem “apresentou” o cerrado joseense para Raquel. Fizeram uma pequena expedição em áreas do Torrão de Ouro, na zona sul da cidade, onde coletaram folhas e flores frescas (precisam ser frescas para garantir boa qualidade de impressão). Depois da colheita, processos no atelier, com lavagens e preparação dos tecidos escolhidos, principalmente algodão e linho, e posterior impressão, uma espécie de sanduíche, que produz imagens espelhadas. Suas bancadas estão instaladas na sua própria casa, no Jardim Esplanada.
Engenheira ambiental pela Univale, no Vale do Utajaí (SC), com interesses permanentes nos temas da agricultura familiar e orgânica, atuou em projetos de consultoria para pequenos agricultores. Depois dos estudos, voltou a São José. Ela mesma chegou a se encantar pelo cultivo de cogumelos (shitake e shimeji) uma profusão levada no próprio quintal de casa. Não à toa, já experimentou uma mistura de catuaba e cogumelos em seus tecidos.